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Fluminense vira jogo eletrizante contra Ulsan HD e assume liderança do Grupo no Mundial de Clubes
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Em uma partida de reviravoltas e muita emoção, o Fluminense superou o Ulsan HD, da Coreia do Sul, por 4 a 2, neste sábado, em Nova Jersey. O resultado, conquistado de forma sofrida, coloca os tricolores na liderança isolada do Grupo F da Copa do Mundo de Clubes, com quatro pontos, à frente do Borussia Dortmund pelo saldo de gols (2 a 0). Já o Ulsan HD, ainda sem pontos, está eliminado da competição.
O time carioca abriu o placar no primeiro tempo, mas viu a equipe coreana virar o jogo antes do intervalo, pegando a torcida de surpresa. Contudo, o segundo tempo foi de domínio tricolor, com a virada confirmada por uma sequência de gols.
O jogo
O Fluminense começou o confronto pressionando o Ulsan HD, com Ganso tendo duas boas chances defendidas pelo goleiro Jo. A insistência tricolor foi recompensada aos 26 minutos, quando Arias cobrou uma falta com maestria, no ângulo, sem chances para o arqueiro coreano, abrindo o marcador.
Após o gol, o Fluminense manteve o ímpeto ofensivo, com Fuentes e Hércules assustando a meta adversária. No entanto, em sua primeira chegada com perigo, o Ulsan HD empatou aos 36 minutos, com Lee Jin-Hyun aproveitando um cruzamento rasteiro. O gol animou os coreanos, que viraram o placar nos acréscimos do primeiro tempo, com Um Wang-Sang marcando de peixinho, levando a vantagem para o vestiário.
Virada e domínio tricolor no segundo tempo
O segundo tempo começou com o Ulsan HD quase ampliando, em uma jogada de Um Wang-Sang que passou muito perto do gol. O susto despertou o Fluminense, que intensificou sua busca pela virada. A pressão surtiu efeito aos 20 minutos, quando Nonato aproveitou um rebote da zaga coreana e finalizou no canto, empatando o confronto.
A equipe carioca manteve a postura ofensiva, e de tanto insistir, a virada veio aos 37 minutos. Após um bate-rebate na área, a bola sobrou para Freytes, que mandou para o fundo das redes. Nos minutos finais, com o Ulsan HD se lançando ao ataque em busca do empate, o Fluminense soube aproveitar os espaços e, nos acréscimos, Keno selou o triunfo com o quarto gol, garantindo a importante vitória em Nova Jersey.
Com o resultado, o Fluminense definirá a liderança do Grupo F na próxima rodada, quando enfrentará o Mamelodi Sundowns-AFS, em Miami. O Ulsan HD, por sua vez, já eliminado, cumprirá tabela contra o Borussia Dortmund-ALE em Cincinnati.
FICHA TÉCNICA
FLUMINENSE 4 X 2 ULSAN HD-COR
Local: Estádio MetLife Stadium, em Nova Jersey (Estados Unidos)
Data: 21/06/2025
Horário: 19h(de Brasília)
Árbitro: Michael Oliver (Inglaterra)
Assistentes: Stuart Burt (Inglaterra) e James Mainwaring (Inglaterra)
Cartões amarelos: Keno (Fluminense)
GOLS: Arias, aos 26′ do 1º T; Nonato, aos 20′ do 2º T; Freytes, aos 37′ do 2º T; Keno, aos 46′ do 2º T (FLUMINENSE) ; Lee Jin-Hyun, aos 36′ do 1º T; Um Wang-Sang, aos 46′ do 1º T (ULSAN HD)
FLUMINENSE: Fábio, Guga (Samuel Xavier), Juan Freytes, Thiago Silva e Gabriel Fuentes; Hércules, Martinelli (Nonato), Ganso (Everaldo) e Jhon Arias; Kevin Serna (Keno) e Germán Cano (Bernal). Técnico: Renato Gaúcho
ULSAN-HD: Hyeon-woo Jo, Kang Sang-Woo (Choi Seok-Hyeon), Young-Gwon Kim, Trojak e Lee Jae-Ik (Lee Chung-Yong); Bojanic (Jung Woo-Young), Um Wang-Sang (Lacava), Lee Jin-Hyun, Seung-Beom Ko (Heo Yool); Ludwigson e Erick Farias. Técnico: Pan-Gon Kim
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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