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Palmeiras vence Botafogo e avança à semifinal do Mundial de Clubes

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O sonho alviverde pelo título mundial segue mais vivo do que nunca. Neste sábado, o Palmeiras venceu o Botafogo por 1 a 0 no Lincoln Financial Field, na Filadélfia (EUA), e garantiu uma vaga nas semifinais do Mundial de Clubes. Em uma partida de poucas oportunidades claras de gol, a vitória só veio durante a prorrogação, graças a um golaço de Paulinho.

Jogo equilibrado e tensão até o fim

O confronto foi marcado pelo equilíbrio e por poucas chances criadas pelas duas equipes. O Palmeiras começou melhor e quase abriu o placar logo aos nove minutos, em cruzamento perigoso de Piquerez para Vitor Roque, que viu o zagueiro Barboza afastar o perigo. O Botafogo, depois de resistir à pressão inicial, equilibrou as ações, mas só levou verdadeiro perigo numa jogada de Marlon Freitas, que finalizou para fora já aos 42 minutos.

Nos acréscimos, o Palmeiras quase marcou com Richard Ríos, que soltou uma bomba de fora da área e obrigou John a fazer grande defesa, mantendo o empate sem gols no primeiro tempo.

Na segunda etapa, o Verdão voltou pressionando e só não abriu o placar porque o goleiro do Botafogo, John, estava em noite inspirada. Estêvão, Maurício e Vitor Roque tentaram repetir o desempenho ofensivo, mas não conseguiram vencer o arqueiro rival. O destaque da etapa foi um belo chute de bicicleta de Vitor Roque, bloqueado pela defesa carioca.

Enquanto isso, o Botafogo buscava aproveitar os contra-ataques, mas encontrou dificuldades para criar real perigo ao gol de Weverton.

Como ninguém conseguiu balançar as redes no tempo regulamentar, o duelo foi para a prorrogação.

Gol de Paulinho garante a classificação

O gol salvador saiu aos nove minutos do tempo extra. Paulinho fez grande jogada pela direita, driblou o marcador já dentro da área e finalizou de canhota, no canto, vencendo o goleiro John. Depois disso, o Botafogo ainda teve uma chance clara com Vitinho, que mandou para fora, e o Palmeiras ficou com um homem a menos após a expulsão de Gómez. Ainda assim, o Verdão segurou o resultado até o apito final e celebrou a vaga.

Próximos desafios

Com a vitória, o Palmeiras vai encarar o Chelsea na próxima fase. O time inglês passou pelo Benfica também neste sábado, após disputa na prorrogação e nos pênaltis. O confronto decisivo está marcado para a próxima sexta-feira, às 22h (horário de Brasília), novamente em Filadélfia.

Já o Botafogo se despede do Mundial de Clubes e retorna ao Brasil, onde foca agora na sequência do Campeonato Brasileiro. O Glorioso enfrenta o Vitória no dia 15 de julho, às 21h30, no Nilton Santos, pela 14ª rodada do Brasileirão.

FICHA TÉCNICA

PALMEIRAS 1 X 0 BOTAFOGO

Local: Lincoln Financial Field, na Filadélfia (EUA)
Data: 28/06/2025
Hora: 13 horas (de Brasília)
Árbitro: François Letexier (FRA)
Assistentes: Cyril Mugnier (FRA) e Mehdi Rahmouni (FRA)
VAR: Jerome Brisard (FRA)
Cartões amarelos: Barboza, Alex Telles, Artur, Newton e Montoro (Botafogo); Gustavo Gómez, Piquerez, Estêvão, Weverton e Aníbal Moreno (Palmeiras)
Cartões vermelhos: Gustavo Gómez (Palmeiras)
Público: 33.657 torcedores
GOL: Paulinho, aos 9′ do 1ºT da prorrogação (Palmeiras)

PALMEIRAS: Weverton; Giay, Gustavo Gómez, Bruno Fuchs e Piquerez; Emiliano Martínez (Aníbal Moreno), Richard Ríos e Maurício (Facundo Torres); Estêvão (Luighi), Allan (Mayke) e Vitor Roque (Paulinho (Micael)). Técnico: Abel Ferreira

BOTAFOGO: John; Vitinho, Jair (Kaio Fernando), Barboza e Alex Telles (Cuiabano); Danilo Barbosa (Newton), Marlon Freitas (Arthur Cabral), Allan (Montoro) e Savarino (Joaquín Correa); Artur e Igor Jesus. Técnico: Renato Paiva

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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