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Brasil deve ampliar área de soja ter safra recorde de grãos em 2025/26

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O Brasil deverá ampliar, pelo 19º ano consecutivo, a área destinada ao cultivo de soja, segundo o levantamento Datagro Grãos de Intenção de Plantio para 2025/26, divulgado nestaquinta-feira )31.07). A projeção indica que 49,1 milhões de hectares serão semeados, um avanço de 2% em relação aos 48,1 milhões de hectares da safra 2024/25.

Com condições climáticas consideradas relativamente favoráveis, ainda que com instabilidades pontuais, e manutenção do nível tecnológico, a produtividade média nacional pode alcançar 3.722 quilos por hectare — 3% acima do recorde atual de 3.614 quilos. Caso os números se confirmem, a produção poderá atingir 182,9 milhões de toneladas, 5% a mais que as 173,5 milhões de toneladas do ciclo em andamento.

Mesmo com custos de produção em alta e expectativa de mercado conservadora para 2025, fatores como renda agrícola positiva, clima mais favorável e a consolidação do modelo soja no verão e milho, algodão e trigo no inverno sustentam a expansão. A perspectiva é de que a oleaginosa avance, sobretudo, sobre áreas de pastagens degradadas.

Para o milho, a Datagro também projeta crescimento nas áreas cultivadas, tanto na safra de verão quanto na de inverno, impulsionado pela valorização dos preços no início de 2025, boa rentabilidade e aumento da demanda doméstica.

A primeira safra deve ocupar 4 milhões de hectares — alta de 4% sobre os 3,8 milhões de hectares da temporada anterior —, sendo 2,6 milhões no Centro-Sul e 1,4 milhão no Norte e Nordeste. A produtividade prevista é de 6.855 quilos por hectare, 3% superior aos 6.646 quilos de 2024/25, o que resultaria em 27,4 milhões de toneladas, 8% acima do ciclo atual.

A segunda safra, responsável por mais de 80% do milho nacional, também deve crescer e atingir a maior área já registrada: 18,6 milhões de hectares, 2% acima dos 18,2 milhões da safra 2024/25.

No Centro-Sul, o avanço é igualmente de 2%, chegando a 15,4 milhões de hectares, enquanto o Norte e o Nordeste devem ter expansão inferior a 2%, totalizando 3,3 milhões. A produtividade média projetada para a safrinha é de 6.096 quilos por hectare, gerando 113,5 milhões de toneladas, contra 112,3 milhões na temporada atual. Somadas as duas colheitas, o Brasil pode atingir 140,9 milhões de toneladas do cereal em 2025/26, superando em 2% o recorde do ciclo anterior.

Fonte: Pensar Agro

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Novo crédito de R$ 18,5 bilhões contra tarifaço inclui agro e cooperativas

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Agricultura, pecuária, florestas plantadas, pesca, aquicultura, fertilizantes e parte da agroindústria estão entre os setores que poderão acessar as linhas do Brasil Soberano 3, pacote de R$ 18,5 bilhões anunciado pelo governo federal para reduzir os efeitos das novas barreiras comerciais dos Estados Unidos.

Cooperativas e associações ligadas à produção e à exportação também foram incluídas. O programa poderá financiar capital de giro, compra de máquinas e equipamentos, modernização das atividades, inovação, adaptação de produtos e abertura de novos mercados.

O anúncio ocorreu na quarta-feira (22), quando entrou em vigor a tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a medida alcança aproximadamente 15% das exportações nacionais destinadas ao mercado norte-americano.

Dos R$ 18,5 bilhões previstos, R$ 13,5 bilhões virão do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os valores serão oferecidos na forma de financiamentos, com obrigação de pagamento, e não como repasses a fundo perdido.

A inclusão do agro não significa que todo produtor terá acesso automático ao crédito. O atendimento será direcionado principalmente a exportadores, agroindústrias, cooperativas, associações e empresas atingidas pelas tarifas ou consideradas estratégicas para o comércio exterior.

Os critérios de enquadramento, os prazos e a distribuição dos recursos entre os setores ainda serão regulamentados. O BNDES ficará responsável por elaborar o plano de aplicação, que deverá ser submetido a um conselho interministerial antes da abertura das linhas para contratação.

As taxas anunciadas variam conforme a finalidade e o porte da empresa. O custo poderá partir de 3% ao ano em projetos ligados à transformação de minerais críticos e chegar a 9,8% no capital de giro contratado por grandes companhias. Para micro, pequenas e médias empresas exportadoras, a taxa indicada para capital de giro é de 8,3% ao ano.

No agro, os recursos também poderão ser utilizados em adaptações sanitárias, fitossanitárias, ambientais e de rastreabilidade exigidas por compradores internacionais. A possibilidade interessa principalmente a frigoríficos, indústrias de alimentos, cooperativas, empresas florestais e exportadores que precisam adequar processos para alcançar outros destinos.

A diversificação de mercados é uma das prioridades. Empresas poderão buscar financiamento para adaptar produtos, obter certificações, participar de negociações comerciais e reduzir a dependência dos Estados Unidos.

O agronegócio já teve participação relevante na primeira etapa do Brasil Soberano. Levantamento com base no relatório de execução do BNDES mostra que as cadeias de alimentos, madeira, agropecuária e couro receberam pelo menos R$ 7,7 bilhões em 2025, equivalentes a 39,5% dos R$ 19,6 bilhões aprovados.

A fabricação de produtos alimentícios concentrou R$ 4,159 bilhões, distribuídos em 260 operações. O setor de madeira recebeu R$ 1,854 bilhão, enquanto agricultura, pecuária e serviços relacionados ficaram com R$ 917 milhões. A cadeia de couros e artefatos somou outros R$ 804 milhões.

O volume destinado ao agro pode ter sido maior. O balanço não permite identificar com precisão empresas ligadas ao setor que aparecem em categorias mais amplas, como comércio atacadista, indústria química e fabricação de máquinas e equipamentos. O comércio atacadista, no qual estão enquadradas diversas tradings, recebeu R$ 1,987 bilhão.

Isan Rezende

A maior parte do dinheiro contratado na primeira fase serviu para dar liquidez às empresas. A linha emergencial de capital de giro respondeu por R$ 10,028 bilhões, enquanto a modalidade destinada à diversificação das exportações movimentou R$ 9,023 bilhões.

Somente R$ 348 milhões foram direcionados à compra de equipamentos e a investimentos na adaptação da produção. O resultado mostra que, diante da perda de mercado e da necessidade de manter contratos, as empresas priorizaram caixa e pagamento de despesas.

As grandes companhias contrataram R$ 13,309 bilhões em 404 operações. Micro, pequenas e médias empresas reuniram 982 contratos, no valor de R$ 6,275 bilhões. Nas etapas anteriores, o financiamento também foi associado à manutenção ou ampliação dos empregos.

A nova rodada ocorre em um cenário no qual agroindústrias exportadoras enfrentam tarifas, conflitos internacionais e exigências crescentes de acesso aos mercados. Para o setor, a efetividade do programa dependerá da rapidez da regulamentação, das condições oferecidas e da capacidade de o crédito chegar às empresas mais expostas às restrições comerciais.

O BNDES estima que as barreiras impostas pelos Estados Unidos podem provocar impacto de R$ 93,4 bilhões sobre as exportações e as cadeias de fornecedores brasileiras, além de colocar aproximadamente 340 mil empregos em risco. O Brasil Soberano 3 amplia a oferta de crédito, mas seus efeitos para o agro só poderão ser medidos depois da definição das regras e do início das contratações.

O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), engenheiro agrônomo Isan Rezende, avaliou como positiva a inclusão do agronegócio, cooperativas e agroindústrias nessa nova etapa do programa. “As tarifas atingem diretamente os exportadores, mas os efeitos percorrem toda a cadeia, chegam ao produtor rural e podem reduzir preços, investimentos e geração de empregos. O crédito ajuda a atravessar esse período, desde que seja liberado com rapidez e alcance quem realmente sofreu perdas”.

“Também é importante que os recursos possam financiar adequações sanitárias, ambientais e de rastreabilidade. O Brasil precisa aproveitar esse momento para abrir mercados e diminuir a dependência de poucos compradores. Não podemos tratar a diversificação apenas como uma resposta emergencial ao tarifaço, mas como uma política permanente de fortalecimento das exportações do agro”, afirma o presidente do IA.

Para ele,  o anúncio de R$ 18,5 bilhões é relevante, mas o resultado dependerá das regras de acesso, dos prazos e das garantias exigidas. “Se a regulamentação for burocrática ou demorar, parte das empresas poderá não conseguir preservar contratos e mercados. O setor precisa de critérios objetivos, taxas compatíveis e atendimento também às cooperativas e às empresas de menor porte”.

Fonte: Pensar Agro

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