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Flamengo vence Internacional no Maracanã e conquista vantagem na Libertadores
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Em um confronto eletrizante pelas oitavas de final da Copa Libertadores, o Flamengo deu um passo importante rumo à classificação ao derrotar o Internacional por 1 a 0, na noite desta quarta-feira (13.08), no Maracanã. O único gol da partida foi marcado pelo atacante Bruno Henrique, ainda no primeiro tempo.
Com o resultado, o time carioca agora detém a vantagem no duelo e joga por um empate na próxima quarta-feira, no jogo de volta, que será disputado no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. Para o Internacional, a missão é mais complexa: precisa vencer por dois gols de diferença para avançar diretamente. Em caso de vitória colorada por apenas um gol, a decisão da vaga será nos pênaltis.
O jogo
A partida começou com o Flamengo impondo seu ritmo e pressionando a saída de bola do Internacional. Logo aos dois minutos, Léo Ortiz arriscou de cabeça, e pouco depois, Luiz Araújo exigiu uma grande defesa do goleiro Rochet em chute cruzado. A intensidade flamenguista persistiu, com o time buscando o gol a todo custo.
A insistência rubro-negra foi recompensada aos 27 minutos. Após uma cobrança de escanteio, Bruno Henrique subiu mais alto que a zaga e cabeceou firme para estufar as redes, levando a torcida ao delírio. Mesmo após o gol, o Flamengo manteve a postura ofensiva, criando mais chances com Plata e o próprio Bruno Henrique, mas o placar permaneceu inalterado até o intervalo.
No segundo tempo, a dinâmica do jogo mudou. Embora o Flamengo tenha tentado manter o ímpeto inicial, o Internacional conseguiu equilibrar as ações, apresentando mais perigo. O Colorado assustou aos 13 minutos com um chute de Ricardo Mathias, e a partida se tornou mais cadenciada, com poucas oportunidades claras para ambos os lados.
Nos minutos finais, o Flamengo reassumiu o controle, pressionando a equipe gaúcha em busca de ampliar a vantagem. Luiz Araújo teve uma chance aos 43 minutos, mas Rochet fez mais uma boa defesa com os pés, garantindo a vantagem mínima para os donos da casa, que agora viajam a Porto Alegre com a classificação em suas mãos.
FICHA TÉCNICA
FLAMENGO 1 X 0 INTERNACIONAL
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 13/08/2025
Horário: 21h30 (de Brasília)
Árbitro: Dario Herrera (ARG)
Assistentes: Gabriel Chade (ARG) e Facundo Rodríguez (ARG)
VAR: Hernán Mastrángelo (ARG)
Cartões amarelos: Varela (Flamengo); Gustavo Prado (Internacional)
GOL: Bruno Henrique, aos 27′ do 1º T (FLAMENGO)
FLAMENGO: Rossi, Emerson Royal (Varela), Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Allan (Evertton) e Jorginho ; Luiz Araújo, Plata (Carrascal), Samuel Lino (Everton Cebolinha) e Bruno Henrique (Pedro). Técnico: Filipe Luís
INTERNACIONAL: Rochet, Aguirre, Juninho, Vitão e Bernabei; Alan Rodríguez (Bruno Henrique), Thiago Maia (Gustavo Prado), Bruno Tabata (Richard) e Alan Patrick; Wesley (Vitinho) e Ricardo Mathias (Borré). Técnico: Roger Machado
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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