Opinião
Direitos Humanos e a base para uma sociedade justa e livre
Opinião
O Dia Nacional dos Direitos Humanos, celebrado em 12 de agosto, é um marco para refletirmos sobre a essência do que nos torna verdadeiramente humanos, a dignidade, a liberdade e a igualdade.
Mais do que um conceito jurídico, os direitos humanos são um pacto civilizatório que garante que cada pessoa, independentemente de sua origem, gênero, religião ou condição social, ou orientação política tenha a sua existência respeitada e assegurada a possibilidade de viver em uma sociedade com as garantias a uma vida plena.
Vivemos tempos em que as transformações sociais e tecnológicas acontecem em velocidade sem precedentes. Novos desafios surgem, e com eles, a necessidade de reafirmar valores fundamentais.
A liberdade de expressão, por exemplo, pilar da democracia, deve ser preservada ao mesmo tempo em que combatemos discursos de ódio que ameaçam a integridade e a paz social. Da mesma forma, a busca por justiça não pode se restringir às salas de audiência, ela deve ser sentida no cotidiano, no acesso igualitário à educação, à saúde, à segurança e às oportunidades de trabalho.
Os direitos humanos não pertencem a um grupo ou ideologia, pertencem a todos nós. Quando garantimos o direito de um, fortalecemos o direito de todos. É esse senso coletivo que sustenta a coesão social e impede que o medo e a intolerância ditem o rumo das relações que vivemos de forma coletiva.
No cenário contemporâneo, questões como a proteção do meio ambiente, o combate à discriminação, a defesa dos povos originários e a promoção da inclusão digital se tornaram parte da agenda dos direitos humanos. Não se trata apenas de proteger indivíduos, mas de assegurar o futuro das próximas gerações.
Estamos em um Estado onde temos oportunidade de oferecer dignidade as pessoas por meio de emprego, renda, educação, com integração que envolve todos os setores produtivos, econômicos e sociais.
Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, temos reafirmado esse compromisso de forma ampla e continua em defender políticas públicas que promovam a dignidade, a igualdade de oportunidades e a proteção das liberdades individuais. Que essa consciência permita cada vez mais o fortalecimento da nossa sociedade mato-grossense e brasileira.
Max Russi é presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso
Opinião
O varejo não quebrou, mas a cabeça do cliente mudou
Voltei da Omni Varejo 2026, em João Pessoa, com a cabeça fervendo. Não foi por causa do calor nordestino, mas de uma palestra do publicitário Walter Longo, que me fez repensar quase tudo o que fazemos no comércio cuiabano.
O varejo não está em crise. O que está acontecendo é uma mudança brutal na cabeça do consumidor. Como disse Longo: “Agora, assistimos a uma migração sem precedentes, mas ela é cognitiva, não geográfica.” Seu cliente não mudou de bairro — mudou dentro da própria cabeça. Ele quer respostas rápidas, soluções imediatas. E quem não perceber isso vai ficar para trás.
Nicholas Carr, jornalista, explica que estamos migrando a atividade neural do hipocampo (pensamento profundo) para o córtex pré-frontal (piloto automático). A revista The Economist estima que as distrações digitais custam US$ 650 bilhões por ano aos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a conta também é pesada.
A saída? Um modelo de negócio mais leve. Longo foi direto: “O segredo do futuro não está em ter mais, e sim em ser mais leve.” Menos estoque, menos peso, mais flexibilidade. O cliente quer agilidade, e estoque enorme virou âncora.
No marketing, a virada é igualmente radical: “O futuro não está em atingir pessoas em massa, mas em compreender pessoas em frações.” Pessoas não são — pessoas estão. Tratar o cliente como ficha cadastral é coisa do passado.
E a cereja do bolo: “Gerir uma empresa daqui para frente significa entender como funcionam as pessoas, e não apenas o negócio.” A economista inglesa Dame Minouche Shafik resume bem: “No passado, empregos dependiam de músculos; agora, do cérebro; no futuro, vão depender do coração.”
Mas não dá para ignorar o presente: juros nas alturas, inadimplência que não dá trégua e um fenômeno que vem arrasando milhares de pessoas no país, apostas esportivas e jogos online passaram a disputar espaço no orçamento dos brasileiros, além do custo de capital corroendo margens. A realidade é dura e fingir que ela não existe é receita para o fracasso.
E é justamente aí que mora a oportunidade. Estoque enxuto não é só modernidade: é menos dinheiro parado pagando juros altos. Atendimento personalizado não é só marketing: é fidelizar quem já compra, mesmo com crédito restrito. Gestão com coração não é só empatia: é time engajado, que vende mais e gera indicações — o melhor remédio contra a queda de consumo.
E a inadimplência? A saída é usar tecnologia para analisar o perfil de crédito em tempo real, oferecer prazos que cabem no bolso e recuperar clientes com abordagem humana. Porque coração também se usa na hora de negociar.
Os lojistas que vão crescer não são os que ignoram os juros, são os que aprendem a dançar com eles. Margem apertada exige giro rápido. Capital caro exige criatividade. Cliente endividado exige oferta inteligente, não apenas desconto.
Como presidente da CDL Cuiabá, saio do evento convicto: nossos desafios são reais, mas nossas armas também. Temos tecnologia, conhecimento e, acima de tudo, um comércio que já provou que sabe renascer.
O varejo cuiabano vai ser mais leve, mais humano e mais esperto. Vai usar a crise como combustível para inovar.
Não tem mais volta: a cabeça do cliente já mudou. Os juros estão altos, a inadimplência existe, mas nossa capacidade de reinventar é maior. Agora é a nossa vez — e vamos sair dessa maiores do que entramos.
*Júnior Macagnam, empresário da moda e presidente da CDL Cuiabá
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