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Flamengo e Vasco empatam “Clássico dos Milhões” no Maracanã
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Em um “Clássico dos Milhões” repleto de emoções e reviravoltas, Flamengo e Vasco da Gama empataram em 1 a 1 na tarde deste domingo (21), no Maracanã. A partida, válida pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, viu Carrascal marcar seu primeiro gol com a camisa rubro-negra, enquanto Rayan garantiu o ponto para o Gigante da Colina. Apesar do resultado, o Mengão permanece na ponta da tabela, acumulando 51 pontos.
O Jogo
O confronto começou em ritmo morno, com ambas as equipes buscando o controle da posse de bola. Aos 16 minutos, no entanto, o Flamengo conseguiu furar a defesa vascaína e abrir o placar. A jogada iniciou com um arremate de Cebolinha que explodiu no travessão. No rebote, Emerson Royal cruzou rasteiro para Bruno Henrique, que finalizou de primeira e obrigou Léo Jardim a fazer uma boa defesa. No segundo rebote, Carrascal não perdoou e mandou para o fundo das redes, marcando seu gol de estreia pelo clube da Gávea.
O Vasco, precisando reagir, adiantou suas linhas e quase empatou aos 24 minutos, com uma cabeçada firme de Vegetti na marca do pênalti, que exigiu uma grande intervenção de Rossi, com a bola ainda batendo na trave antes de ser afastada por Emerson Royal. Aos 29, a insistência vascaína foi recompensada: Coutinho cobrou escanteio na área, e o jovem Rayan subiu mais alto na segunda trave para cabecear e encobrir Rossi, deixando tudo igual no marcador. A reta final da primeira etapa foi marcada por diversas paralisações e faltas, especialmente por parte do Vasco, levando as equipes para o intervalo com o placar de 1 a 1.
Segundo tempo
o Flamengo retornou com uma postura mais agressiva, subindo as linhas de marcação para tentar forçar erros na saída de bola do adversário. O técnico Filipe Luís promoveu as primeiras alterações antes dos 15 minutos, colocando Samuel Lino e Viña nos lugares de Cebolinha e Ayrton Lucas. Com o time totalmente no campo de ataque, o rubro-negro girava a bola em busca de espaços. As entradas de Pedro e Arrascaeta deram novo fôlego ao ataque. Saúl, em um chutaço da meia-lua, fez a bola explodir no travessão, levando um grito de “uh” da Nação.
Outra grande chance para o Flamengo veio aos 24, quando Royal cruzou alto, Samuel Lino escorou de cabeça, a zaga vascaína se atrapalhou, e Pedro chutou para o gol, mas Léo Jardim fez uma defesa espetacular, salvando em cima da linha.
Nos minutos finais, o Mengão foi para o “tudo ou nada”. Aos 43, Pedro fez um corta-luz para Luiz Araújo, que cruzou na área, mas a finalização do camisa 9 foi desviada por Lucas Oliveira. A partida terminou sem mais alterações no placar, com um empate que mantém o Flamengo na liderança e dá um fôlego ao Vasco na luta contra as últimas posições.
Ficha Técnica
Flamengo 1 x 1 Vasco
Competição: Campeonato Brasileiro 2025 – 24ª rodada
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 21 de setembro de 2025 (domingo)
Horário: 17h30 (de Brasília)
Cartões Amarelos:
- Flamengo: Ayrton Lucas, Arrascaeta
- Vasco: Lucas Oliveira, Barros, Rayan
Arbitragem:
- Árbitro: Rafael Rodrigo Klein (RS)
- Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Maira Mastella Moreira (RS)
- VAR: Caio Max Augusto Vieira (PR)
Gols:
- Jorge Carrascal, aos 11′ do 1ºT (Flamengo)
- Rayan, aos 30′ do 1ºT (Vasco)
Escalações:
Flamengo: Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz, Danilo e Ayrton Lucas (Viña); Allan, Saul e Carrascal (Arrascaeta); Plata (Luiz Araújo), Bruno Henrique (Pedro) e Everton Cebolinha (Samuel Lino). Técnico: Filipe Luís
Vasco: Léo Jardim; Paulo Henrique, Carlos Cuesta, Robert Renan (Lucas Oliveira), Puma Rodríguez; Hugo Moura, Barros (Matheus Carvalho), Philippe Coutinho (Matheus França); Rayan, Vegetti (David) e Nuno Moreira (Andrés). Técnico: Fernando Diniz
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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