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Atlético-MG quebra jejum de vitórias com sofrido triunfo sobre o Mirassol na Arena MRV

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O Atlético-MG finalmente reencontrou o caminho da vitória neste sábado, ao superar o Mirassol por 1 a 0 na Arena MRV, em partida válida pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. O gol solitário do zagueiro Vitor Hugo, marcado logo no início do primeiro tempo, garantiu três pontos cruciais para o Galo, que encerrou uma sequência de seis jogos sem triunfos no torneio nacional.

O jogo

O time comandado por Sampaoli começou o jogo com intensidade, e a estratégia deu resultado rapidamente. Aos 8 minutos, em uma cobrança de escanteio precisa de Natanael, o zagueiro Vitor Hugo subiu soberano na área e testou firme para abrir o placar, levando a torcida à loucura. O Mirassol tentou reagir com chutes de fora da área de Reinaldo e Neto Moura, mas encontrou um Everson em noite inspirada, que realizou defesas importantes para manter a vantagem mineira.

No entanto, a partida tomou um rumo inesperado aos 43 minutos, quando o zagueiro Junior Alonso recebeu cartão vermelho direto após uma cotovelada em Danielzinho. O Atlético-MG se viu obrigado a jogar todo o segundo tempo com um homem a menos, testando a resiliência da equipe. Mesmo em desvantagem numérica, o Galo ainda teve uma chance clara de ampliar com Biel, mas o goleiro Walter fez uma grande defesa.

Segunda tempo

Com a vantagem numérica, o Mirassol voltou para a segunda etapa determinado a buscar o empate. A equipe paulista dominou as ações e criou diversas oportunidades perigosas, com Cristian, Guilherme Marques e Negueba rondando a meta atleticana. Em um dos lances de maior perigo, a bola chegou a carimbar a trave de Everson, que, por sua vez, continuou com atuações decisivas, garantindo o placar.

Apesar da pressão incessante do adversário, o Atlético-MG mostrou organização tática e garra para segurar o resultado. Em raras saídas para o ataque, Biel e Rony ainda conseguiram criar perigo em contra-ataques, mas o foco principal era a defesa. A vitória por 1 a 0 foi celebrada como um verdadeiro alívio e um passo importante para a recuperação na competição.

Situação na Tabela e Próximos Desafios

Com o resultado, o Atlético-MG salta para a 14ª posição, somando agora 28 pontos e afastando-se momentaneamente da zona de rebaixamento. A última vitória do Galo havia sido na 18ª rodada, contra o Red Bull Bragantino. Já o Mirassol, apesar da derrota, mantém-se na quarta colocação, com 42 pontos, ainda firme na briga pelo acesso.

Os próximos compromissos das equipes pelo Campeonato Brasileiro são:

  • Atlético-MG: Receberá o Juventude na terça-feira, 30 de setembro, às 21h30 (horário de Brasília), novamente na Arena MRV.
  • Mirassol: Enfrentará o Bragantino na quarta-feira, 1º de outubro, às 19h (horário de Brasília), no Estádio José Maria de Campos Maia, em São Paulo.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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