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Palmeiras goleia Vasco e assume vice-liderança do Brasileirão

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O Palmeiras garantiu uma vitória convincente por 3 a 0 sobre o Vasco da Gama na noite desta quarta-feira, em partida válida pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com uma atuação avassaladora no primeiro tempo, o Alviverde não deu chances ao adversário, selando o placar com gols de Flaco López (duas vezes) e Vitor Roque. A partida no Allianz Parque marcou o fim da sequência invicta do Vasco e catapultou o Verdão à vice-liderança da competição.

O Jogo

Os três gols palmeirenses foram construídos nos primeiros 45 minutos. Logo aos seis minutos, Flaco López abriu o marcador. Após um lançamento preciso de Gustavo Gómez para Raphael Veiga, que tocou para o atacante argentino, a bola desviou na defesa vascaína, mas Flaco aproveitou para avançar e finalizar com precisão no canto de Léo Jardim.

O Vasco tentou reagir, com Rayan aos 12 minutos e um desvio perigoso de Vegetti, mas o goleiro Weverton esteve atento. No entanto, foi o Palmeiras quem ampliou a vantagem. Aos 16, Andreas Pereira recuperou a posse, acionou Felipe Anderson que abriu para Piquerez. O lateral cruzou na área, e a defesa cruzmaltina se atrapalhou, deixando Flaco López livre para balançar as redes novamente.

O bombardeio palmeirense continuou. Cerca de cinco minutos depois, Vitor Roque recebeu de Flaco López, driblou Paulo Henrique com destreza e finalizou para fazer o terceiro gol, ampliando a festa da torcida. Uma cobrança de falta de Andreas Pereira ainda exigiu uma boa defesa de Léo Jardim antes do intervalo.

O segundo tempo trouxe menos emoções, com o Palmeiras administrando a larga vantagem. Embora Piquerez e Andreas Pereira tenham arriscado de longe, e Vitor Roque tenha tido um gol anulado por impedimento após revisão do VAR, o placar não se alterou. O Vasco, apesar de algumas investidas de Rayan, Coutinho e Andrés Gómez, esbarrou nas defesas seguras de Weverton.

Com o resultado, o Palmeiras assume provisoriamente a segunda colocação da tabela, somando 51 pontos, e aguarda o resultado do jogo do Cruzeiro nesta quinta-feira para confirmar a posição. O Vasco, por sua vez, interrompe uma invencibilidade de sete jogos e se mantém na 12ª posição, com 30 pontos.

Próximos Confrontos:

O Palmeiras terá um clássico pela frente na 27ª rodada, enfrentando o São Paulo no Morumbis no domingo, 5 de outubro de 2025, às 16h (de Brasília).

Já o Vasco buscará a reabilitação em casa, em São Januário, no mesmo dia e horário, contra o Vitória.

FICHA TÉCNICA

Palmeiras 3 x 0 Vasco

Competição: Campeonato Brasileiro (26ª rodada)

Local: Allianz Parque, São Paulo (SP)

Data: 1º de outubro de 2025 (quarta-feira)

Horário: 19h (de Brasília)

Público: 34.355 torcedores Renda:

R$ 2.836.452,40

Arbitragem:

  • Árbitro: Rafael Rodrigo Klein (RS)
  • Assistentes: Bruno Boschilia (PR) e Maurício Coelho Silva Penna (RS)
  • VAR: Daniel Nobre Bins (RS)

Cartões Amarelos:

  • Palmeiras: Aníbal Moreno
  • Vasco: Paulo Henrique

Gols:

  • Palmeiras: Flaco López (6′ do 1ºT)
  • Palmeiras: Flaco López (17′ do 1ºT)
  • Palmeiras: Vitor Roque (23′ do 1ºT)

Palmeiras:

  • Goleiro: Weverton
  • Defensores: Giay, Gustavo Gómez, Murilo e Piquerez
  • Meio-campistas: Aníbal Moreno, Andreas Pereira (Allan), Raphael Veiga (Ramón Sosa) e Felipe Anderson (Facundo Torres)
  • Atacantes: Flaco López (Mauricio) e Vitor Roque (Bruno Rodrigues)
  • Técnico: Abel Ferreira

Vasco:

  • Goleiro: Léo Jardim
  • Defensores: Paulo Henrique, Robert Renan, Lucas Oliveira (Matheus Carvalho) e Puma Rodríguez
  • Meio-campistas: Tchê Tchê e Hugo Moura
  • Atacantes: Rayan, Coutinho e Nuno Moreira (Andrés Gómez); Vegetti (David)
  • Técnico: Fernando Diniz

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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