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São Paulo supera adversidade, vence Fortaleza fora de casa e quebra jejum no Brasileirão
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O São Paulo finalmente respirou aliviado na noite desta quinta-feira. Em uma atuação de superação na Arena Castelão, a equipe de Hernán Crespo derrotou o Fortaleza por 2 a 0, em partida válida pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro, colocando um ponto final em uma incômoda sequência de quatro derrotas consecutivas. Os gols da vitória tricolor foram anotados por Gonzalo Tapia e Luciano.
A vitória teve um sabor ainda mais especial para o São Paulo, que precisou jogar grande parte do confronto com um jogador a menos. Logo aos 20 minutos do primeiro tempo, o atacante Rigoni foi expulso após uma entrada dura em Deyverson, um lance revisado pelo VAR que culminou no cartão vermelho, testando a capacidade de reação do time paulista.
Início Promissor e o Golpe da Expulsão
O Tricolor Paulista começou a partida de forma promissora. Aos 11 minutos, uma jogada bem trabalhada pela direita resultou no primeiro gol. Cédric Soares acionou Rigoni em profundidade, e o argentino, antes de ser expulso, fez um cruzamento rasteiro que encontrou Gonzalo Tapia. O chileno finalizou de primeira, com precisão, abrindo o placar para o São Paulo.
No entanto, a alegria durou pouco. Aos 20 minutos, em um lance de dividida com Deyverson, Rigoni cometeu uma falta que, após revisão do VAR e análise do árbitro Anderson Daronco, resultou em sua expulsão. O São Paulo se via, então, com um homem a menos em campo, precisando reorganizar sua estratégia para o restante da partida.
Resiliência Tática e Consolidação da Vitória
Mesmo em desvantagem numérica, o São Paulo demonstrou notável resiliência tática. O Fortaleza, impulsionado pela superioridade numérica, buscou pressionar e criar chances, mas encontrou dificuldades em furar a bem postada defesa são-paulina, abusando de chutes de longa distância que não ofereceram grande perigo. O goleiro tricolor não foi exigido em grandes defesas, e a linha defensiva se manteve sólida.
No segundo tempo, mesmo com a pressão do time da casa, o São Paulo quase ampliou. Em uma jogada rápida, Bobadilla e Wendell acionaram Tapia, que deixou Bobadilla na cara do gol. A finalização, contudo, foi travada pela defesa adversária. O Fortaleza continuou tentando, com chutes de Diogo Barboeda, Pochettino e Breno Lopes, mas sem sucesso.
A vitória foi selada já na reta final, em um contra-ataque fulminante. Alisson desarmou, Luciano conduziu a bola e abriu para Bobadilla, que tocou para Enzo Díaz. O lateral argentino, com um toque preciso na saída do goleiro, deixou a bola na medida para Luciano empurrar para o fundo das redes, garantindo os três pontos e a importante vitória.
Situação na Tabela
Com o triunfo, o São Paulo alcança os 38 pontos e se mantém na sétima colocação, diminuindo a diferença para o G6 – grupo que classifica para a próxima Copa Libertadores – para apenas dois pontos, atualmente ocupado pelo Bahia.
Já o Fortaleza vive situação oposta. A derrota mantém a equipe afundada na zona de rebaixamento, figurando na vice-lanterna com 21 pontos, à frente apenas do Sport.
Próximos Desafios
O São Paulo terá um clássico pela frente no próximo domingo (horário de Brasília), quando recebe o arquirrival Palmeiras, no Morumbis, às 16h, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro. O Fortaleza, por sua vez, buscará a reabilitação fora de casa, enfrentando o Juventude no mesmo dia, às 18h30, no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul.
FICHA TÉCNICA
Fortaleza 0 x 2 São Paulo
Competição: Campeonato Brasileiro (26ª rodada)
Local: Arena Castelão, Fortaleza (CE)
Data: 2 de outubro de 2025 (quinta-feira)
Horário: 19h30 (de Brasília)
Gols: São Paulo:
- Gonzalo Tapia, aos 11 minutos do 1º Tempo
- Luciano, aos 40 minutos do 2º Tempo
Cartões Amarelos:
- Fortaleza: Gastón Ávila, Lucas Gazal
- São Paulo: Não houve
Cartões Vermelhos:
Arbitragem:
- Árbitro: Anderson Daronco (RS)
- Assistentes: Michael Sanislau (RS) e Tiago Kappes Diel (RS)
- VAR: Wagner Reway (SC)
Fortaleza:
- Goleiro: Brenno
- Defensores: Brítez, Gastón Ávila, Lucas Gazal e Diogo Barbosa
- Meio-campistas: Lucas Sasha, Matheus Pereira (Guzmán) e Lucas Crispim (Bareiro)
- Atacantes: Herrera (Breno Lopes), Yago Pikachu (Pochettino) e Deyverson (Marinho)
- Técnico: Martín Palermo
São Paulo:
- Goleiro: Rafael
- Defensores: Negrucci, Luiz Gustavo e Sabino
- Meio-campistas: Cédric Soares (Mailton), Pablo Maia, Bobadilla, Rodriguinho (Enzo Díaz) e Wendell (Alisson)
- Atacantes: Rigoni e Tapia (Luciano)
- Técnico: Hernán Crespo
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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