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Santos vence clássico, escapa do Z4 e tira liderança do Palmeiras
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Em um clássico eletrizante na Vila Belmiro, o Santos conquistou uma vitória crucial por 1 a 0 sobre o Palmeiras na noite deste sábado, afastando-se da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e, de quebra, impedindo o rival de manter a ponta da tabela. O gol da redenção santista foi anotado por Rollheiser, nos minutos finais da segunda etapa, incendiando o caldeirão da Vila.
Com este resultado vital, o Peixe dá um salto significativo na classificação, alcançando a 16ª posição com 36 pontos. A vitória significa que o Alvinegro Praiano empurra o Vitória de volta para o Z4, respirando aliviado na reta final da competição.
Para o lado palmeirense, a derrota teve um custo alto. O Verdão perdeu a liderança para o Flamengo, que havia vencido o Sport mais cedo. Agora, o Palmeiras ocupa a vice-liderança com 68 pontos, três a menos que o Rubro-Negro carioca.
O Jogo
O primeiro tempo do clássico foi predominantemente santista. Com maior posse de bola e iniciativa, o time da casa criou as melhores oportunidades, forçando o goleiro Carlos Miguel a realizar grandes intervenções. João Schmidt, aos 14 minutos, ameaçou de cabeça, e aos 20, Carlos Miguel protagonizou uma defesa espetacular após Barreal receber um passe açucarado de Igor Vinícius e finalizar forte. Já perto do intervalo, Neymar, em rara aparição no clássico, recebeu livre na entrada da área e chutou rente à trave. Em seguida, Khellven evitou o gol do Palmeiras em cima da linha, após desvio de Zé Rafael em escanteio.
Na etapa complementar, o Palmeiras voltou com outra postura, impulsionado pelas mudanças promovidas pelo técnico Abel Ferreira. O Alviverde começou a levar mais perigo ao gol de Gabriel Brazão. Logo aos dois minutos, Luighi, em um contra-ataque rápido, finalizou cruzado e o goleiro santista espalmou. Aos 18, foi a vez de Flaco López invadir a área e desferir um chute que tirou tinta da trave, mostrando que o Verdão estava vivo na partida. No entanto, o destino do jogo seria selado por Rollheiser, garantindo os três pontos para o Santos e a festa da torcida.
Próximos desafios
Santos:
- Adversário: Mirassol (34ª rodada do Brasileirão)
- Data e Horário: 19/11 (quarta-feira), às 21h30 (de Brasília)
- Local: Vila Belmiro, em Santos (SP)
Palmeiras:
- Adversário: Vitória (34ª rodada do Brasileirão)
- Data e Horário: 19/11 (quarta-feira), às 19h30 (de Brasília)
- Local: Allianz Parque, em São Paulo (SP)
FICHA TÉCNICA
Santos 1 x 0 Palmeiras
Competição: Campeonato Brasileiro (13ª rodada)
Local: Vila Belmiro, em Santos (SP)
Data: 15 de novembro de 2025 (sábado)
Horário: 21h (de Brasília)
Público: 14.651 torcedores
Renda: R$ 805.116,25
Arbitragem:
- Árbitro: Raphael Claus (SP)
- Assistentes: Danilo Ricardo Simon Manis (SP) e Alex Ang Ribeiro (SP)
- VAR: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP)
Cartões Amarelos:
- Palmeiras: Aníbal Moreno
- Santos: Zé Rafael
Gols:
- Santos: Rollheiser, aos 45′ do 2ºT
Santos:
- Goleiro: Gabriel Brazão
- Defensores: Igor Vinícius, Adonis Frías, Zé Ivaldo e Souza (Escobar)
- Meio-campistas: Willian Arão (Victor Hugo), João Schmidt, Zé Rafael (Rollheiser) e Barreal (Robinho Jr.)
- Atacantes: Guilherme (Lautaro Díaz) e Neymar
- Técnico: Juan Pablo Vojvoda
Palmeiras:
- Goleiro: Carlos Miguel
- Defensores: Murilo, Bruno Fuchs e Micael
- Meio-campistas: Khellven (Giay), Aníbal Moreno, Raphael Veiga e Jefté
- Atacantes: Mauricio (Larson), Felipe Anderson (Luighi) e Bruno Rodrigues (Flaco López)
- Técnico: Abel Ferreira
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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