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Cruzeiro goleia Corinthians e carimba vaga direta na Libertadores
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Em uma exibição de gala que serve como um poderoso aviso para o próximo confronto da Copa do Brasil, o Cruzeiro atropelou o Corinthians por 3 a 0 neste domingo, no Mineirão. A vitória contundente não apenas consolidou a excelente fase da Raposa no Campeonato Brasileiro, mas também garantiu a tão almejada vaga direta na fase de grupos da Copa Libertadores da América.
O placar elástico, construído com dois gols do artilheiro Kaio Jorge e um de Arroyo, selou a superioridade celeste em campo e deixou o Corinthians em situação delicada na tabela, cada vez mais distante do G7.
DO jogo
Desde os primeiros minutos, o Cruzeiro impôs seu ritmo e dominou as ações. A Raposa, atuando com intensidade e organização, não demorou a criar oportunidades. Aos 25 minutos, após boa jogada e defesa de Felipe Longo, Kaio Jorge aproveitou o rebote e abriu o placar, incendiando a torcida cruzeirense. O time mineiro seguiu pressionando e, aos 33, Lucas Silva quase ampliou com um chute perigoso.
No segundo tempo, a superioridade cruzeirense se traduziu rapidamente em mais gols. Aos três minutos, Kaio Jorge, novamente oportunista, balançou as redes pela segunda vez. Não satisfeito, o Cruzeiro consolidou a goleada aos 18 minutos: em um contra-ataque fulminante, Kaio Jorge serviu Arroyo, que invadiu a área e finalizou com força, sem chances para o goleiro alvinegro. Uma vitória indiscutível que ressalta a força do elenco celeste.
Cruzeiro na elite do Brasileirão e Libertadores garantida
Com o resultado, o Cruzeiro alcançou impressionantes 68 pontos, consolidando-se na terceira posição da tabela e diminuindo a diferença para o vice-líder Palmeiras (70 pontos). A performance exemplar da equipe garantiu a classificação direta para a fase de grupos da Libertadores, um objetivo de grande importância para o clube na temporada. A campanha cruzeirense até aqui é marcada por 19 vitórias, 11 empates e apenas cinco derrotas, números que atestam a solidez do projeto.
Por outro lado, o Corinthians viu suas chances de alcançar uma vaga na Pré-Libertadores se tornarem quase nulas, estacionando na décima posição com 45 pontos.
Prévia da semifinal da Copa do Brasil
O confronto deste domingo ganha ainda mais peso por ser uma “prévia” das semifinais da Copa do Brasil. Cruzeiro e Corinthians se reencontrarão em breve para decidir uma vaga na grande final da competição. Os duelos estão marcados para os dias 10 e 14 de dezembro, com o primeiro jogo em Minas Gerais e a decisão na Neo Química Arena. A goleada no Brasileirão certamente injeta confiança extra na equipe mineira para esse embate decisivo.
Próximos compromissos:
- Cruzeiro: Enfrenta o Ceará no sábado, 29/11, às 20h30 (de Brasília), na Arena Castelão, em Fortaleza (CE).
- Corinthians: Recebe o Botafogo no domingo, 30/11, às 16h (de Brasília), na Neo Química Arena, em São Paulo (SP).
Aqui está a ficha técnica da partida, formatada conforme solicitado:
FICHA TÉCNICA
Cruzeiro 3 x 0 Corinthians
- Competição: Campeonato Brasileiro (35ª rodada)
- Local: Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
- Data: 23 de novembro de 2025 (domingo)
- Horário: 20h30 (de Brasília)
- Público: 30.663 torcedores
Gols:
- Kaio Jorge, aos 25′ do 1ºT (Cruzeiro)
- Kaio Jorge, aos 3′ do 2ºT (Cruzeiro)
- Arroyo, aos 18′ do 2ºT (Cruzeiro)
Cartões Amarelos:
- Cruzeiro: Lucas Romero, Arroyo, Fabrício Bruno
- Corinthians: Matheuzinho, Hugo
Cartões Vermelhos:
- Corinthians: José Martínez
Arbitragem:
- Árbitro: Alex Gomes Stefano (RJ)
- Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Correa (RJ) e Carlos Henrique Alves de Lima Filho (RJ)
- VAR: Wagner Reway (SC)
Cruzeiro:
- Cássio; William, Fabrício Bruno, Villalba e Kaiki Bruno (Kauã Prates); Lucas Romero (Walace), Lucas Silva, Christian (Japa) e Matheus Pereira; Arroyo (Sinisterra) e Kaio Jorge (Gabigol).
- Técnico: Leonardo Jardim
Corinthians:
- Felipe Longo; João Pedro Tchoca, Gustavo Henrique e Angileri (André); Matheuzinho, Raniele (Carrillo), Breno Bidon (Martínez), Rodrigo Garro (Dieguinho) e Matheus Bidu; Gui Negão (Vitinho) e Yuri Alberto.
- Técnico: Dorival Júnior
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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