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Chapa “Unidos pelo Avanço do Futebol Mato-grossense” consolida força e amplia apoio na disputa pela presidência da FMF

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A chapa Unidos pelo Avanço do Futebol Mato-grossense esteve reunida neste domingo (23) para discutir os últimos alinhamentos antes da eleição marcada para o dia 2 de dezembro. O encontro contou com a presença de Diogo Pécora, Márcio Lacerda, Antônio Góis, Bruno Manfio, Cristiano Dresch, Waldisnei Cunha, Henrique Matias, Athayde, Leocir Nazzari, Alex Melo, Roberto Moraes, Denilson Pereira, Ciro Campos e Germano de Freitas, reforçando a coesão interna e a participação ativa de lideranças de diferentes regiões e clubes do estado. A mobilização demonstra o engajamento elevado do grupo, que trabalha de forma integrada na reta final da disputa.

A eleição para a presidência da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF) ganha força com o avanço da chapa, que reúne nomes estratégicos e experientes no cenário esportivo. Liderado pelo advogado e ex-presidente do TJD-MT, Diogo Pécora, o grupo se compromete a inaugurar um novo ciclo, pautado em profissionalismo, transparência e na defesa de que o futebol mato-grossense deve ser conduzido por quem vive a realidade do estado e investe diretamente em seu desenvolvimento.

A chapa apresenta uma composição robusta, com vice-presidentes de grande representatividade: Márcio Lacerda, figura tradicional ligada a Cáceres e à política estadual; Francisco Mendes, único brasileiro a integrar o Comitê Disciplinar da FIFA e liderança de destaque na CBF; Bruno Manfio, símbolo da renovação e da gestão moderna; e Antônio Góis, comunicador com mais de 30 anos de atuação e responsável por iniciativas sociais esportivas como o Esporte Sinop. Essa pluralidade fortalece o projeto e amplia a capacidade de articulação institucional.

Outro ponto que demonstra a força da candidatura é o apoio quase unânime dos clubes. Compõem a base da chapa times históricos e competitivos como o Chicote da Fronteira — Clube Esportivo Operário Várzea-Grandense (CEOV), o Cuiabá — representante do estado na Série B e na Copa do Brasil — e o Primavera, atual campeão mato-grossense e participante de competições nacionais na categoria masculina. Juntam-se a eles os Times Academia Ação de Futebol forte no futebol feminino, e o Várzea Grande FC, campeão estadual feminino e classificado ao Brasileiro da categoria. Essa musculatura esportiva reforça a legitimidade e a representatividade da chapa.

Após a reunião, o presidente Diogo Pécora reforçou o otimismo para a eleição: “Registramos 19 subscrições formais — a Liga de Alta Floresta e mais 18 clubes. Estamos confiantes. Nosso objetivo é realizar um trabalho sólido, elevar o futebol mato-grossense e transformar a FMF em uma federação modelo. Queremos trazer profissionalismo, transparência e avanços reais para que Mato Grosso seja referência nacional”, declarou.

Clubes que já assinaram

Liga de Alta Floresta

Sinop Futebol Clube

Sport Sinop

Academia Futebol Clube

Associação Desportiva Uirapuru

Mato Grosso Esporte Clube

Atlético Mato-grossense

Juara Atlético Clube

Cacerense Esporte Clube

Campo Novo

Santa Cruz

Cáceres Esporte Clube

Primavera Atlético Clube

Rondonópolis (REC)

Cuiabá Esporte Clube

CEOV Operário

Academia Ação de Futebol

Várzea Grande Esporte Clube

Sorriso Esporte Clube

Fonte: Federação Mato-grossense de Futebol

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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