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Drama na Neo Química: Corinthians busca empate heroico contra Botafogo
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Em uma tarde de muitas emoções na Neo Química Arena, o Corinthians arrancou um empate por 2 a 2 contra o Botafogo neste domingo, pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro. O Timão, que saiu na frente, viu o adversário virar o placar no segundo tempo, mas demonstrou resiliência para igualar o marcador e evitar a derrota em casa.
O jogo
A partida começou promissora para o time paulista, que abriu o placar logo aos seis minutos. Após uma falha na saída de bola do Botafogo, Raniele foi oportunista, roubou a bola de Newton e serviu Dieguinho, que na devolução deixou o camisa 14 em posição de finalizar para o fundo das redes. O jovem Dieguinho mostrava grande disposição e, aos 17 minutos, protagonizou uma bela jogada individual antes de rolar para Matheuzinho, cujo chute foi defendido por Léo Link. Apesar do ímpeto corintiano, o time desperdiçou uma chance crucial aos 33 minutos: Matheuzinho cobrou falta, Léo Link deu rebote, e Garro cruzou para Yuri Alberto, que, sozinho na pequena área, furou a bola, impedindo o que seria o segundo gol.
O cenário mudou drasticamente na segunda etapa. O Botafogo, que vinha mostrando uma sequência positiva de invencibilidade, voltou do vestiário com outra postura e não demorou a reagir. Aos 14 minutos, em uma troca de passes envolvente, Montoro encontrou Cuiabano, que finalizou com precisão para deixar tudo igual. A virada alvinegra viria apenas seis minutos depois, aos 20. Montoro novamente participou da jogada, tocando para Allan, que cruzou na área. A bola encontrou Barrera, que emendou um voleio espetacular, sem chances para Hugo Souza, colocando o Glorioso à frente.
No entanto, o Corinthians não se entregou. Em um lance individual de pura arte, Vitinho costurou entre dois defensores pela direita e fez um cruzamento rasteiro. A bola encontrou Gustavo Henrique, que bateu de chapa para o gol, com um desvio no marcador, garantindo o empate.
Com o resultado, o Corinthians sobe para a nona posição, somando 46 pontos, apenas dois atrás do São Paulo, o oitavo colocado. Sem chances de G7, o foco agora é assegurar a oitava colocação, que pode valer uma vaga na Libertadores caso o campeão da Copa do Brasil já esteja classificado. Já o Botafogo consolida sua excelente fase, chegando a oito jogos de invencibilidade. O time carioca ultrapassa o Fluminense e assume a quinta colocação, com 59 pontos, firme na briga pelas primeiras posições.
Próximos confrontos:
Corinthians terá um desafio fora de casa pela 37ª rodada do Brasileirão, enfrentando o Fortaleza na Arena Castelão. A partida está marcada para 03 de dezembro, uma quarta-feira, às 19h (de Brasília).
Botafogo também jogará longe de seus domínios, contra o Cruzeiro, no Mineirão. O jogo será no dia 04 de dezembro, quinta-feira, às 19h30 (de Brasília).
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Corinthians 2 x 2 Botafogo | |
| Competição | Campeonato Brasileiro (36ª rodada) |
| Local | Neo Química Arena, em São Paulo (SP) |
| Data | 30 de novembro de 2025 (domingo) |
| Horário | 16h (de Brasília) |
| Público | 37.959 torcedores |
| Renda | R$ 2.694.538,50 |
| Cartões Amarelos | Botafogo: Ponte, Newton, Santi Rodríguez, Allan e Arthur Cabral Corinthians: Raniele, Matheuzinho e Maycon |
| Cartões Vermelhos | Nenhum |
| Arbitragem | |
| Árbitro | Jonathan Benkenstein Pinheiro (RS) |
| Assistentes | Rafael da Silva Alves (RS) e Michael Stanislau (RS) |
| VAR | Marco Aurelio Augusto Fazekas Ferreira (MG) |
| Gols | |
| Corinthians | Raniele, aos 6′ do 1ºT Gustavo Henrique, aos 36′ do 2ºT |
| Botafogo | Cuiabano, aos 14′ do 2ºT Barrera, aos 20′ do 2ºT |
| Escalações | |
| Corinthians | Hugo Souza; Matheuzinho, João Pedro Tchoca, Gustavo Henrique e Matheus Bidu (Angileri); Raniele, Breno Bidon (Maycon), André Carrillo (André) e Rodrigo Garro (Gui Negão); Dieguinho (Vitinho) e Yuri Alberto. Técnico: Dorival Júnior |
| Botafogo | Léo Linck; Mateo Ponte, Marçal, David Ricardo e Cuiabano; Newton (Allan) e Marlon Freitas; Artur, Savarino (Montoro (Santi Rodríguez)) e Joaquín Correa (Jordan Barrera); Kadir (Arthur Cabral). Técnico: Davide Ancelotti |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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