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Deputados entregam relatório ao MME e recomendam nova licitação da energia em MT

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O deputado estadual Wilson Santos (PSD) entregou ao ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira, na última sexta-feira (9), em Brasília (DF), o relatório consolidado das oito audiências públicas realizadas nos principais polos regionais de Mato Grosso, que apontam falhas recorrentes na prestação dos serviços de distribuição de energia elétrica pela concessionária Energisa. O documento, que teve como relator o deputado estadual Eduardo Botelho (União), reúne denúncias, dados técnicos e relatos de consumidores e servirá como subsídio para que o órgão federal avalie o cumprimento das cláusulas contratuais e defina estratégias para garantir a melhoria do serviço. Entre as possibilidades analisadas estão a renovação da concessão ou a abertura de uma nova licitação para os próximos 30 anos.

Wilson Santos explicou que a criação da Comissão Especial na Assembleia Legislativa teve como objetivo acompanhar de perto o processo de renovação da concessão da Energisa, uma vez que existem 19 concessionárias de energia no país. “Desde 11 de dezembro de 1997, os serviços de distribuição de energia em Mato Grosso foram concedidos à iniciativa privada. Inicialmente, o Grupo Rede assumiu e, há 11 anos, a empresa foi substituída pela Energisa. O parlamento estadual é favorável à iniciativa privada, que possui expertise e capital para realizar os investimentos que o estado exige. No entanto, não temos interesse em repetir modelos ultrapassados, pois Mato Grosso se desenvolveu significativamente”, justificou.

Como vice-presidente da Comissão Especial, ele destacou que os diagnósticos realizados com participação popular, no último semestre de 2025, ocorreram nos municípios de Tangará da Serra, Sapezal, Cáceres, Pontes e Lacerda, Várzea Grande, Cuiabá, Chapada dos Guimarães e Rondonópolis.

“Além deste documento entregue ao Ministério, também anexamos o relatório da Câmara Setorial Temática (CST) que discutiu a energia elétrica na Assembleia Legislativa. Na nossa conclusão, sugerimos pela realização de uma nova licitação, pois entendemos que nem todas as cláusulas contratuais foram cumpridas”, explicou.

Entre as principais reclamações apontadas pela população está a baixa implantação do sistema trifásico, presente em menos de um terço do estado. Segundo o parlamentar, essa deficiência compromete o desenvolvimento econômico. “Mato Grosso cresce, muitas indústrias e empresários desejam se instalar em determinadas cidades, mas não conseguem avançar por falta de capacidade energética. Outros querem ampliar suas plantas industriais e não conseguem, porque a Energisa não fornece a energia necessária”, ressaltou.

Wilson Santos também criticou a desumanização do atendimento ao consumidor, com o fechamento da maioria das agências físicas no interior. “Há pessoas que ainda dependem do atendimento presencial, especialmente idosos, que necessitam de orientação direta. Uma das reclamações mais recorrentes nas audiências foi a morosidade no atendimento pelos canais digitais e telefônicos da concessionária”, afirmou.

Outro ponto destacado no relatório é a baixa qualidade e a instabilidade no fornecimento de energia elétrica. De acordo com os deputados, o serviço é precário e gera custos e transtornos significativos à população e ao setor produtivo, com interrupções constantes, oscilações e quedas de energia. Além disso, há prejuízos materiais, como a queima de eletrodomésticos e equipamentos essenciais para a produção no campo. “Elencamos informações que desfavorecem a renovação da concessão da Energisa em Mato Grosso. Identificamos violações de indicadores regulatórios e a percepção negativa do consumidor é corroborada por dados oficiais da própria distribuidora. A prorrogação do contrato nos moldes atuais é estrategicamente indefensável e lesiva aos interesses de longo prazo do estado. A melhoria embora exista, não foi suficiente para atender uma economia em plena expansão”, destacou Wilson Santos.

A Comissão Especial concluiu que a decisão sobre a renovação da concessão da distribuição de energia elétrica em Mato Grosso deverá ser estratégica e definirá a capacidade de crescimento e a qualidade de vida da população nas próximas três décadas. “O futuro exige mais do que a simples manutenção do serviço. Exige um parceiro comprometido com o desenvolvimento compartilhado. O novo contrato deve ser um instrumento de política de desenvolvimento econômico e não apenas um acordo de prestação de serviço”, aponta o documento.

Durante a reunião, o ministro Alexandre Silveira reconheceu que o contrato firmado em 1997 é obsoleto e não atende à realidade atual. Segundo ele, contratos mais recentes, como os firmados nos estados do Espírito Santo e Pernambuco, já preveem metas de investimentos, índices de melhoria e aperfeiçoamento dos serviços, critérios que deverão constar no próximo contrato de Mato Grosso. “Precisamos ter clareza nos contratos e acompanhar o desenvolvimento nacional. Discutimos com os deputados a possibilidade ou não da renovação da concessão. Quero destacar o empenho e a qualidade do diagnóstico apresentado. Ficaremos atentos para tomar a melhor decisão para o povo de Mato Grosso, que fortaleça o desenvolvimento do estado e leve energia trifásica ao campo”, afirmou o ministro.

Ao final da reunião, ficou acordada a continuidade das discussões sobre a prestação dos serviços da Energisa em Mato Grosso. O próximo encontro ocorrerá de forma remota, nesta terça-feira (13), às 15h (horário de Brasília), entre os integrantes do Ministério de Minas e Energia e os deputados da Comissão Especial da Assembleia Legislativa

Fonte: ALMT – MT

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Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados

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A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.

A vedação vale sempre que o ato puder:

  • comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
  • alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
  • descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.

A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.

Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.

A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.

A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.

Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:

  • parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
  • estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
  • autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.

O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.

Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.

Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Lindbergh citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio

Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.

Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.

Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra

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