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Grupo de trabalho vai analisar uso de inteligência geoespacial na cafeicultura

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A discussão sobre o uso de inteligência geoespacial na cafeicultura ganhou força em Minas Gerais neste momento porque o Estado passou a estruturar, de forma mais coordenada, um grupo de trabalho técnico voltado justamente à aplicação dessas ferramentas no campo. A iniciativa reúne órgãos do Governo de Minas, instituições de pesquisa, universidades e parceiros internacionais para avaliar como dados territoriais avançados podem apoiar decisões produtivas, ambientais e logísticas no café.

Esse grupo envolve a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), além de uma missão técnica da República Tcheca. O objetivo é analisar a viabilidade de cooperação com o Projeto Comunidade, desenvolvido pela Universidade Tcheca de Ciências da Vida (CZU), que já opera em outros países da América Latina com foco em agricultura e meio ambiente.

A partir dessa articulação, o tema deixa de ser apenas conceitual e passa a ser tratado como ferramenta prática de política agrícola e de apoio ao produtor. A inteligência geoespacial permite integrar imagens de satélite, dados climáticos, informações de solo, relevo e uso da terra, oferecendo uma leitura mais precisa do território agrícola. Isso ajuda a antecipar riscos, planejar o manejo e orientar ações de assistência técnica de forma mais eficiente.

Minas Gerais já possui uma base sólida nesse campo. O mapeamento do parque cafeeiro mineiro, iniciado em 2016, utiliza imagens de satélite combinadas com validação em campo em centenas de municípios produtores. Esse trabalho aprimora as estimativas de safra, identifica áreas de cafés diferenciados e fortalece o planejamento da cadeia produtiva.

Com a ampliação do debate técnico e a possível cooperação internacional, a tendência é avançar no uso desses dados para enfrentar desafios cada vez mais presentes na cafeicultura, como estresse hídrico, doenças, incêndios e erosão do solo. Ferramentas geoespaciais permitem identificar áreas mais vulneráveis e direcionar ações antes que os problemas se agravem.

Outro ponto central é a rastreabilidade e a sustentabilidade, exigências crescentes dos mercados consumidores. Plataformas baseadas em inteligência territorial ajudam a comprovar a origem da produção e a conformidade ambiental das lavouras. Em Minas, levantamentos já indicam que mais de 90% das propriedades cafeeiras não têm a produção associada ao desmatamento, informação estratégica para manter acesso a mercados e agregar valor ao café.

Ao estruturar esse grupo de trabalho e avaliar parcerias tecnológicas, Minas Gerais sinaliza que o uso de inteligência geoespacial deixa de ser apenas inovação pontual e passa a integrar a estratégia de longo prazo da cafeicultura. Para o produtor, isso significa mais previsibilidade, melhor planejamento e decisões cada vez mais baseadas em dados — sem substituir a experiência do campo, mas ampliando sua capacidade de resposta diante das mudanças climáticas e de mercado.

Fonte: Pensar Agro

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Safra de urucum impulsiona pequenas propriedades

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A colheita do urucum avança nas principais regiões produtoras do país com preços entre R$ 12,50 e R$ 15 por quilo das sementes. No noroeste do Paraná, onde a produtividade pode chegar a 1,5 tonelada por hectare, a regularidade das chuvas favoreceu as lavouras depois de dois ciclos prejudicados pela seca.

Nas áreas de melhor desempenho, a combinação entre produtividade e preço representa uma receita bruta potencial de R$ 22,5 mil por hectare. O valor não desconta os gastos com implantação, adubação, manejo, mão de obra, colheita e beneficiamento das sementes.

O Brasil ocupa a liderança mundial na produção de urucum. Levantamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), elaborado com dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimou uma colheita nacional de 13,6 mil toneladas, equivalente a aproximadamente 57% da produção global naquele ano.

São Paulo concentra o principal polo produtor do país, especialmente na Nova Alta Paulista. Municípios localizados entre Tupã e Panorama têm parte da economia agrícola ligada à cultura. Na região, a safra principal ocorre entre junho e agosto, com preços atuais entre R$ 12,50 e R$ 13 por quilo.

No Paraná, o cultivo comercial ganhou espaço a partir da década de 1980 e encontrou condições favoráveis nos municípios do noroeste. A combinação entre solo arenoso, elevada luminosidade e temperaturas adequadas permitiu o desenvolvimento da atividade, principalmente em pequenas propriedades.

A colheita paranaense começa em março nas áreas mais precoces, atinge o maior volume entre junho e julho e pode seguir até setembro. A estimativa consolidada da produção regional deverá ser conhecida em outubro, depois do encerramento dos trabalhos nas lavouras.

Levantamentos locais indicam produtividade entre 800 e 1.500 quilos de sementes por hectare, dependendo da variedade, da idade das plantas, dos tratos culturais e das condições climáticas. A melhora dos preços também estimulou a retomada dos investimentos em adubação e manutenção das áreas.

A maior parte dos agricultores utiliza as variedades Piave tradicional e Piave anão. A primeira forma árvores de maior porte. A segunda apresenta plantas mais baixas, característica que facilita o acesso às cápsulas e reduz o esforço necessário durante a colheita.

Segundo especialistas, o porte das plantas é um fator importante principalmente nas propriedades que dependem de mão de obra familiar. A uniformidade da maturação e a disposição dos galhos também interferem na velocidade da colheita e no aproveitamento das sementes.

O urucum tem espaço em áreas nas quais a produção de soja ou milho em grande escala encontra limitações econômicas e operacionais. Em propriedades de até dez hectares, a cultura pode complementar a renda obtida com a pecuária leiteira e outras atividades.

A colheita é semimecanizada. As cápsulas são retiradas dos galhos e encaminhadas para equipamentos que fazem a separação das sementes. O processo ainda exige participação considerável de trabalhadores, o que torna o custo e a disponibilidade de mão de obra pontos importantes no planejamento.

Os frutos do urucuzeiro são cápsulas revestidas por espinhos maleáveis. Em seu interior ficam as sementes cobertas por um pigmento avermelhado utilizado na fabricação de colorau e de corantes naturais.

A bixina, principal pigmento extraído das sementes, abastece sobretudo a indústria de alimentos. A substância é empregada na coloração de queijos, embutidos, massas, molhos, bebidas, sorvetes, doces e outros produtos.

A matéria-prima também possui aplicações nas indústrias cosmética, química, têxtil e de vernizes. A procura por corantes de origem natural ajuda a sustentar o mercado, mas a remuneração depende da qualidade das sementes e do conteúdo de pigmento.

O teor de bixina é um dos principais critérios avaliados pela indústria. Sementes com maior concentração proporcionam melhor rendimento no processamento, o que aumenta a importância da escolha da variedade e do manejo correto da lavoura.

Pesquisas conduzidas pelo Instituto Agronômico (IAC), ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), buscam desenvolver plantas que reúnam porte reduzido, maior produtividade, elevado teor de bixina e resistência às principais doenças.

Entre os problemas acompanhados está o oídio, doença identificada pela formação de uma camada esbranquiçada nas folhas. Quando não controlada, pode reduzir a capacidade de desenvolvimento das plantas e afetar o potencial produtivo.

Os estudos também avaliam espaçamento, arquitetura das plantas, adaptação regional e diversidade genética. O instituto mantém um banco de germoplasma com 378 genótipos, utilizados na seleção de materiais com características de interesse dos agricultores e da indústria.

Por ser uma cultura perene, o urucum exige planejamento de longo prazo. A implantação das mudas deve ser feita preferencialmente entre a primavera e o verão, quando o período chuvoso favorece o crescimento inicial.

Antes de iniciar o cultivo, o produtor precisa avaliar a existência de compradores, a distância até as unidades de beneficiamento e a disponibilidade de trabalhadores. Ao contrário das grandes commodities, o urucum possui um mercado mais restrito e depende de canais comerciais organizados.

A produtividade elevada e os preços próximos de R$ 15 por quilo melhoram as perspectivas desta safra. Para as pequenas propriedades, a cultura representa uma alternativa de diversificação, mas o resultado depende de assistência técnica, qualidade das sementes, eficiência na colheita e segurança na comercialização.

Fonte: Pensar Agro

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