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Corinthians garante vaga na Final da Copa das Campeãs da FIFA
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Com um gol decisivo de sua capitã Gabi Zanotti nos momentos finais da partida, o Corinthians conquistou uma vitória crucial de 1 a 0 sobre o Gotham FC nesta segunda-feira, garantindo sua vaga na tão desejada final da Copa das Campeãs da FIFA. A camisa 10 e líder do Timão não poupou elogios ao desempenho coletivo da equipe e celebrou a importância de seu tento contra as adversárias norte-americanas.
A partida, que marcou o primeiro compromisso do Corinthians em 2026, exigiu adaptação e inteligência tática, segundo Gabi Zanotti. “Esperamos muito tempo por esse momento e hoje fui iluminada. Quero exaltar o grupo, é início de temporada. Era óbvio que não conseguiríamos marcar pressão. Mudamos nossa proposta e fizemos um excelente trabalho. Fechamos cada espaço, com uma defesa muito sólida. Acho que tivemos as melhores chances no primeiro tempo, faltou eficiência”, analisou a craque em entrevista à Cazé TV, após o apito final.
Gabi Zanotti destacou a resiliência e a coesão das Brabas, enfatizando a força defensiva como diferencial. “Nós sempre pensamos no coletivo. Quem quer ganhar precisa ter uma defesa sólida, principalmente porque estamos fora do nosso auge físico. Acho que esse foi o nosso diferencial, jogamos como equipe, de uma forma muito inteligente. Estudamos bastante o Gotham e agora precisamos fazer uma nova preparação para o adversário da final”, complementou a meio-campista.
A vitória não apenas coloca o Corinthians na final, mas também reafirma a mentalidade do grupo em focar no trabalho e nos objetivos. “Nós vimos muitas coisas por aí, mas não adianta falar fora de campo. Agora é trabalhar passo a passo e muito feliz por viver esse momento”, concluiu Zanotti, demonstrando a concentração da equipe para o próximo desafio.
O adversário do Corinthians na grande decisão será conhecido nesta quarta-feira, quando Arsenal e ASPAR se enfrentarão na outra semifinal, às 15h (horário de Brasília), no Brentford Stadium. A finalíssima da Copa das Campeãs da FIFA está marcada para este domingo, também às 15h (de Brasília), e será disputada no Emirates Stadium, casa do Arsenal. O Timão agora foca na recuperação física e na análise do futuro oponente para buscar mais um título internacional.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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