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Flamengo humilha Sampaio Corrêa por 7 a 1 e garante vaga nas quartas do Carioca

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Em uma noite de gala no Maracanã, o Flamengo confirmou sua classificação para as quartas de final do Campeonato Carioca com uma vitória acachapante sobre o Sampaio Corrêa, por 7 a 1. O Rubro-Negro, impiedoso, transformou o confronto em um verdadeiro espetáculo ofensivo, carimbando sua passagem para a próxima fase.

Os destaques da goleada ficaram por conta dos artilheiros Pedro e Bruno Henrique, ambos com dois gols. Samuel Lino, Everton Cebolinha e o jovem Douglas Telles completaram a festa flamenguista. O gol de honra do Sampaio Corrêa foi anotado por Rodrigo Andrade.

O jogo

A partida começou com um momento de apreensão. Aos oito minutos do primeiro tempo, o volante Alexandre, do Sampaio Corrêa, caiu no gramado com uma convulsão, necessitando de atendimento médico imediato das equipes de ambos os clubes e sendo substituído.

Superado o susto, o Flamengo abriu o placar aos 16 minutos. Pedro recebeu um passe preciso de Samuel Lino, invadiu a área, driblou Lucas Marreta e finalizou com categoria na saída do goleiro Zé Carlos. O Sampaio Corrêa ainda chegou a comemorar um gol de Rodrigo Andrade, que foi prontamente anulado pelo VAR.

Aos 30 minutos, o Rubro-Negro ampliou. Paquetá iniciou a jogada, encontrando Samuel Lino pela esquerda, que cruzou rasteiro para Pedro completar de carrinho, marcando seu segundo no jogo. Antes do intervalo, Rodrigo Andrade se redimiu, diminuindo a vantagem com um belo gol de cobertura, levando o placar para 2 a 1 ao fim da primeira etapa.

Segundo tempo avassalador e goleada histórica

O segundo tempo foi um monólogo flamenguista. Aos 12 minutos, Bruno Henrique, servido por Samuel Lino, finalizou com estilo para fazer o terceiro. Pouco depois, Samuel Lino, que vinha sendo destaque com assistências, também deixou sua marca, completando um cruzamento de Emerson Royal. Três minutos mais tarde, Everton Cebolinha subiu mais alto que a defesa adversária e marcou de cabeça, consolidando a vantagem.

A intensidade do ataque rubro-negro não diminuiu. O jovem Douglas Telles, após uma bela tabela com Bruno Henrique, chutou sem chances para o goleiro, ampliando ainda mais a contagem. Para selar a impiedosa goleada de 7 a 1, Bruno Henrique converteu um pênalti aos 45 minutos, coroando uma noite memorável.

Com o resultado, o Flamengo assegurou a quarta colocação do Grupo B, somando sete pontos, e avança com moral para as quartas de final. O Sampaio Corrêa, por sua vez, encerrou sua participação na Taça Guanabara na última posição do Grupo A, também com sete pontos.

Próximos compromissos:

  • Flamengo: Enfrentará o Vitória em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. O confronto está marcado para 10 de fevereiro de 2026 (terça-feira), às 21h30 (horário de Brasília), no Estádio Barradão.
  • Sampaio Corrêa-RJ: Terá pela frente a Desportiva Ferrovária-ES pela Copa do Brasil. A partida será em 18 de fevereiro de 2026 (quarta-feira), às 14h (horário de Brasília), no Estádio Lourival Gomes de Almeida.
FICHA TÉCNICA
Flamengo 7 x 1 Sampaio Corrêa
Competição Campeonato Carioca – Taça Guanabara (6ª Rodada)
Local Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro
Data 7 de fevereiro de 2026 (sábado)
Horário 21h (de Brasília)
Gols
  • 1ºT: Pedro (Flamengo) aos 16′
  • 1ºT: Pedro (Flamengo) aos 30′
  • 1ºT: Rodrigo Andrade (Sampaio Corrêa) aos 51′
  • 2ºT: Bruno Henrique (Flamengo) aos 12′
  • 2ºT: Samuel Lino (Flamengo) aos 21′
  • 2ºT: Everton Cebolinha (Flamengo) aos 24′
  • 2ºT: Douglas Telles (Flamengo) aos 37′
  • 2ºT: Bruno Henrique (Flamengo) aos 45′
Escalação Flamengo Andrew; Emerson Royal, Danilo, Vitão e Ayrton Lucas; Evertton Araújo, Lucas Paquetá (Cebolinha), Carrascal (Bruno Henrique); Samuel Lino (Douglas Telles), Pedro (Wallace Yan) e Plata (Pulgar).
Técnico Flamengo Filipe Luís
Escalação Sampaio Corrêa Zé Carlos, Lucas Carvalho (Ryan), Lucas Marreta, Daniel e Guilherme; Martini (Rodrigo Dantas), Alexandre (Gabriel Agu), Rodrigo Andrade e Luan Gama; Matheus Goiano (Iacovelli) e Octávio (Paulo Victor).
Técnico Sampaio Corrêa Antônio Carlos Roy

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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