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Palmeiras goleia e garante vaga na semifinal do Paulistão 

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O Palmeiras não deu chances ao Capivariano e, com uma goleada de 4 a 0 na Arena Barueri neste sábado (21.02), assegurou sua vaga nas semifinais do Campeonato Paulista pelo 13º ano consecutivo. O destaque da partida ficou por conta dos dois gols de Vitor Roque, da contribuição de Andreas Pereira de pênalti e do gol de Sosa, além da aguardada estreia de Jhon Arias, que já mostrou seu cartão de visitas.

A vitória não apenas garantiu a classificação do Verdão, mas também estendeu sua impressionante sequência invicta como mandante para 20 jogos.

A estreia notável de Jhon Arias

A grande expectativa do torcedor palmeirense era a estreia de Jhon Arias, recém-contratado por 25 milhões de euros (cerca de R$ 154 milhões) do Wolverhampton, da Inglaterra. O colombiano entrou em campo aos 32 minutos do segundo tempo, substituindo Allan, e não demorou para influenciar o jogo. Arias demonstrou velocidade e técnica ao aplicar um corte seco em Balão dentro da área, sofrendo o pênalti que Andreas Pereira cobraria com maestria para fazer o terceiro gol palmeirense.

O jogo

O Palmeiras iniciou a partida com intensidade máxima, e a estratégia surtiu efeito rapidamente. Aos cinco minutos, Flaco López recebeu pela direita e cruzou com precisão para a segunda trave, onde Vitor Roque, após driblar o marcador, finalizou rasteiro no canto, sem chance para o goleiro Guilherme Nogueira, abrindo o placar.

O Capivariano tentou reagir, com Vinícius Popó arriscando por cima do gol e Carlos Eduardo finalizando em cima de Carlos Miguel após uma saída de bola errada da defesa alviverde. No entanto, o Palmeiras manteve o controle. Guilherme Nogueira teve trabalho para espalmar um chute forte de Flaco López, e quase viu sua meta ser vazada em um gol contra após um escanteio de Andreas Pereira.

Ainda na primeira etapa, aos 35 minutos, o Verdão ampliou. Mauricio tabelou com Piquerez na área e rolou para trás, encontrando novamente Vitor Roque. O atacante não perdoou e, de voleio, marcou seu segundo gol na partida, levando o Palmeiras para o intervalo com uma vantagem confortável.

Segundo tempo 

Na etapa final, o Palmeiras administrou a vantagem, mas sem deixar de atacar. Piquerez e Flaco López quase marcaram o terceiro, mas Guilherme Nogueira fez a defesa. A entrada de Jhon Arias injetou ainda mais ânimo na equipe. Aos 44 minutos, o colombiano protagonizou a jogada que resultou no pênalti, convertido por Andreas Pereira.

Para coroar a goleada, nos acréscimos, após um belo lançamento de Felipe Anderson, Ramóns Sosa ficou cara a cara com o goleiro, driblou-o e apenas empurrou a bola para o gol vazio, selando o 4 a 0 e a festa alviverde em Barueri.

Próximos desafios

Palmeiras aguarda a definição dos outros confrontos das quartas de final para conhecer seu adversário na semifinal, prevista para o próximo fim de semana. A definição ocorre pela pontuação acumulada das equipes no Paulistão. Para o Capivariano, a derrota significa o fim da sua jornada no torneio estadual.

O próximo compromisso do Palmeiras será pelo Campeonato Brasileiro, onde enfrentará o Fluminense na quarta-feira, 25 de fevereiro, às 21h30 (de Brasília), novamente na Arena Barueri, pela 4ª rodada da competição nacional.

FICHA TÉCNICA
              Palmeiras 4 x 0 Capivariano
Competição Campeonato Paulista (quartas de final)
Local Arena Barueri, em Barueri (SP)
Data 21 de fevereiro de 2026 (sábado)
Horário 20h30 (de Brasília)
Público 21.531 torcedores
Renda R$ 783.161,00
Gols
  • Vitor Roque, aos 5′ do 1ºT (Palmeiras)
  • Vitor Roque, aos 35′ do 1ºT (Palmeiras)
  • Andreas Pereira, aos 46′ do 2ºT (Palmeiras)
  • Sosa, aos 48′ do 2ºT (Palmeiras)
Cartões Amarelos – Capivariano Carlos Eduardo, Diogo Mateus
Cartões Amarelos – Palmeiras Marlon Freitas
Cartões Vermelhos Nenhum
Árbitra Edina Alves Batista
Assistentes Alex Ang Ribeiro, Izabele de Oliveira
VAR Douglas Marques das Flores
Escalação – Palmeiras
Goleiro Carlos Miguel
Defensores Khellven, Gustavo Gómez, Murilo e Piquerez
Meio-campistas Marlon Freitas, Andreas Pereira, Mauricio (Felipe Anderson) e Allan (Jhon Arias)
Atacantes Flaco López (Lucas Evangelista) e Vitor Roque (Sosa)
Técnico Abel Ferreira
Escalação – Capivariano
Goleiro Guilherme Nogueira
Defensores Diogo Mateus (Ricardo Cerqueira), Octávio, Wendel Lomar e Lucas Dias
Meio-campistas Bruno Silva, Thiaguinho (João Victor Balão), Ravanelli (Rodolfo) e Carlos Eduardo (Felipe Azevedo)
Atacantes Daniel Baianinho (Matheus Guilherme) e Vinícius Popó
Técnico Élio Sizenando

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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