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Marquinhos empata com Leão e Ronaldo em número de jogos pela Seleção

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O capitão da Seleção Brasileira, Marquinhos, completou 105 jogos pela Amarelinha na vitória por 2 a 1 sobre o Egito, no último sábado (6), e empatou com o goleiro Emerson Leão e com o atacante Ronaldo Fenômeno. Agora, o trio divide a nona colocação do ranking dos atletas com mais partidas pela equipe.

Nesta Copa do Mundo, o zagueiro de 32 anos tem a chance de galgar mais colocações na lista. Está a dois jogos do pentacampeão Lúcio, com 107 partidas, e a três do tetracampeão Taffarel, que defendeu as traves do Brasil em 108 oportunidades.

O paulistano estreou pela Amarelinha em 16 de novembro de 2013, na goleada por 5 a 0 sobre Honduras, no Hard Rock Stadium, em Miami – este é o mesmo palco de Brasil x Escócia, pela terceira rodada da Copa. Já seu primeiro gol se deu em 11 de setembro de 2018, na goleada pelo mesmo placar sobre El Salvador, no Northwest Stadium, na capital estadunidense, Washington.

No Maracanã, Marquinhos comemora o título da Copa América de 2019

Ao longo dos seus quase 13 anos de Seleção Principal, o defensor representou o Brasil nas Copas do Mundo de 2018 e 2022 e nas Copas América de 2015, 2016, 2019 (campeão), 2021 e 2024. Já pelas Seleções de Base, acumulou convocações desde Sub-17, tendo ganhado o Sul-Americano da categoria em 2011, o Torneio de Toulon pela Sub-21 em 2014 e a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

TOP 10 DE JOGADORES COM MAIS PARTIDAS PELA SELEÇÃO BRASILEIRA:

1º) Cafu – 150

2º) Roberto Carlos – 132

3º) Neymar Jr. – 128

4º) Daniel Alves – 127

5º) Rivellino – 120

6º) Pelé, Thiago Silva e Djalma Santos – 113

7º) Taffarel – 108

8º) Lúcio – 107

9º) Marquinhos, Emerson Leão e Ronaldo – 105

10º) Jairzinho, Ronaldinho Gaúcho e Gilmar – 102

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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