Cultura
João Pessoa completa 441 anos nesta quarta-feira; veja a programação
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A antiga Cidade Real de Nossa Senhora das Neves, ou Filipéia, Fredrikstad – durante a breve ocupação holandesa – ou ainda, Parahyba do Norte, mas atualmente reconhecida como João Pessoa, completa nesta quarta-feira (5), 441 anos.

Uma série de eventos culturais e religiosos, são os pontos altos da celebração de aniversário da capital paraibana. A data também marca o dia da padroeira da cidade, Nossa Senhora das Neves.
Ainda pela manhã, a partir das 10 horas, a Praça dos Três Poderes recebe a tradicional Mostra de Carros Antigos; e a partir das 16 horas, acontece o desfile dos automóveis históricos.
Ainda dentro do campo da “memória”, o Hotel Globo segue até o dia 24 de agosto com a exposição “Recortes de um Passado”, da artista visual Danielle Cavalcanti Travassos. A mostra reúne fotografias e pinturas que revelam diferentes olhares sobre o Centro Histórico de João Pessoa.
No Palco Cultura Popular do Parque Solon de Lucena, espaço de parte da programação da Festa das Neves, acontecem apresentações de grupos culturais de coco e maracatu. Encerrando a Festa da Padroeira de João Pessoa, iniciada no último dia 26 de julho, a partir das 16 horas tem a Missa na Catedral Metropolitana, presidida pelo Bispo Auxiliar da Arquidiocese da Paraíba, Dom Alcivan Tadeus Gomes de Araújo, seguida da Procissão e da Bênção do Santíssimo Sacramento.
Já o Busto de Tamandaré, na orla da cidade, recebe o cantor Fábio Jr. e a banda Roupa Nova para comandar o “Parabéns a você”, com shows a partir das 19 horas. A programação será aberta com apresentações da Banda 5 de Agosto e a Companhia Municipal de Dança.
Em outro espaço de João Pessoa, é a cantora Vanessa da Mata e a Orquestra Sinfônica do estado que comandam a festa da capital quatrocentona. Pelas redes sociais a cantora faz o convite para a festa.
“O evento será na Praça do Povo, no Espaço Cultural José Lins do Rego, a partir das 20 horas. Eu estarei me apresentando com a Orquestra Sinfônica da Paraíba, sob a regência do maestro Gustavo de Paco de Gea. Clássicos da carreira como Ai Ai Ai, Amado, Boa Sorte, estarão com certeza nesse show. A entrada é gratuita. Espero vocês lá. Tragam seus familiares, seus queridos filhos, sua turma, venha sozinho também. Venham curtir a música brasileira”.
Fundada por colonizadores portugueses em 5 de agosto de 1585, a capital paraibana, tem o nome de “João Pessoa”, em homenagem ao político paraibano João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, assassinado em 1930, na cidade do Recife, quando era presidente do estado e concorria como candidato a vice-presidente da República, na chapa de Getúlio Vargas.
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90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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