Cultura
Festival de cinema reúne diversidade, inclusão e acessibilidade
Cultura
Começa nesta quarta-feira (19) mais uma edição do Cinedeia – o Festival Cearense Internacional de Diversidade, Equidade, Inclusão e Acessibilidade. O projeto está em sua quinta edição e chega a Fortaleza depois de circular pelo interior do estado.

Na capital cearense, a programação irá se concentrar no CineTeatro São Luiz, onde o público poderá conferir 15 filmes brasileiros que tratam de temas como: diversidade, envelhecimento, povos indígenas, cultura afro-brasileira, inclusão social e meio ambiente.
Lucas Paz, diretor do projeto, dá mais detalhes sobre a programação.
“Vocês podem contar com uma programação inteiramente gratuita. Teremos exibição de filmes de todo o Brasil com Libras e áudio descrição, a presença de acompanhantes atitudinais, debates, mesas expositoras, como também um curso de qualificação profissional audiovisual inclusiva, disponível em Libras e com a tradução de intérpretes”.
As sessões acontecerão até o próximo dia 23 de agosto.
Nesta quarta e quinta, as sessões serão voltadas para escolas; e de sexta até domingo, o festival abre suas portas para o público em geral. Lucas destaca ainda que o festival funcionará como um canal para aproximar o público de entidades que podem contribuir com a cidadania e a inclusão.
“Para além das ações de sustentabilidade e sociais, nós também promovemos encontros da população com órgãos públicos e associações. Então, todas as visitas que você fizer durante o festival, de nove da manhã às nove da noite, você encontrará mesas expositoras com diferentes órgãos, coordenadorias de diversidade, de direitos humanos, de meio ambiente, como associações que também trabalham com essas causas de diversidade e inclusão dentro da economia criativa, dentro da inovação sustentável e dentro da gestão pública.
Outro destaque do Cinedeia será a projeção na fachada do histórico Cineteatro de um videomapping acessível.
A programação completa e o link para retirada dos ingressos estão disponíveis no instagram do projeto @cinedeia.ce.
Cultura
90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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