Cultura
Ariano Suassuna é oficializado como “patrono da cultura” do Recife
Cultura
Ariano Suassuna, criador do Movimento Armorial, agora é oficialmente patrono da cultura do Recife.

A lei que reconhece a importância de um dos maiores autores brasileiros para a cultura e a literatura pernambucana, nordestina e nacional, foi sancionada esta semana.
O prefeito do Recife, Victor Marques, afirma que a homenagem formaliza um reconhecimento já presente na identidade cultural da cidade.
“Esse é um ato representativo, simbólico e formal de algo que a cidade já vive. Ariano, que é um grande nome da cultura, da literatura brasileira — não só nordestina, brasileira —, e dizer que ano que vem é o centenário dele, com certeza o Recife, que era a sua casa, vai fazer uma bonita e bela homenagem nesse centenário”, explica.
Um dos netos do escritor, João Suassuna, participou da cerimônia de sanção da lei.
Para ele, o título consolida o vínculo entre Ariano e o povo recifense.
“É a gente ter efetivamente sedimentado, não mais só no coração, mas da alma do povo recifense Ariano como patrono da cultura de Recife. Um amor de A a Zélia, um amor de Ariano por Recife e pela cultura recifense, pernambucana, nordestina e brasileira”, fala.
João destaca que a homenagem também reverencia Dona Zélia, companheira de Ariano por 67 anos e apontada pelo próprio escritor como inspiração para uma mudança importante em sua trajetória literária.
“Eu digo que o amor de Ariano por Recife é um amor de A a Zélia. Ariano, que antes de Zélia só escrevia tragédias, foi Zélia quem inspirou o riso, a graça, a leveza de Ariano, foi esse Ariano que eu conheci como neto. E a partir disso ele dizia uma coisa muito bonita: ‘Quando eu conheci Zélia foi como se meu coração e minha alma tivessem se aberto para a vida e para a alegria do mundo’. Ele complementava dizendo: ‘Foi ela quem permitiu a irrupção em minha vida do riso a cavalo e do galope do sonho'”, conta.
Ariano Suassuna nasceu em João Pessoa em 1927 e foi radicado no Recife a partir de 1938.
Ele dedicou grande parte de seus 87 anos de vida à literatura e às artes.
Foi romancista, dramaturgo, poeta, professor, artista plástico e advogado, além de ocupar cadeiras nas Academias Brasileira, Paraibana e Pernambucana de Letras.
Foi na capital pernambucana que se formou em Direito e iniciou a carreira artística que o tornaria um dos maiores intelectuais do país.
Autor de obras como “O Auto da Compadecida”, que ganhou adaptações para o teatro, o cinema e a televisão, Ariano também participou de importantes movimentos culturais e educacionais ao lado de nomes como Hermilo Borba Filho, Paulo Freire e Francisco Brennand.
Entre seus legados, o mais conhecido é o Movimento Armorial, criado e lançado por ele em outubro de 1970, no Recife.
A iniciativa buscava desenvolver uma arte erudita genuinamente brasileira a partir das raízes da cultura popular nordestina, unindo elementos do universo popular e da tradição erudita.
O movimento valorizava as tradições sertanejas e combatia a descaracterização cultural provocada pela reprodução de modelos estrangeiros.
Para Suassuna, o folclore não era uma manifestação estática, mas uma fonte viva e sofisticada para a criação artística.
Com esse propósito, o Armorial reuniu diferentes expressões culturais, como literatura, música, teatro, dança, artes plásticas e xilogravura.
O movimento é considerado um dos principais marcos da trajetória de Ariano Suassuna e um dos fundamentos para o reconhecimento dele como patrono da cultura do Recife.
Cultura
Festival de Parintins é homenageado em exposição no Rio de Janeiro
O Festival de Parintins, importante manifestação do Amazonas e um dos mais tradicionais da cultura popular brasileira, é o grande homenageado da exposição “Boi-Bumbá de Parintins: do Brincar ao Futuro”, em cartaz no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro, na cidade do Rio de Janeiro.

A mostra retrata não apenas o espetáculo dos bois Caprichoso e Garantido, mas também o que está nos bastidores da festa, como o trabalho dos artistas envolvidos, técnicas, referências culturais e os saberes e a força das comunidades que mantém viva essa tradição.
A curadora Rozana Trilha explica que uma das ideias da exposição é relacionar a tradição do festival com outras manifestações da cultura brasileira.
“A gente quer que a mostra possa dialogar, reverenciar, as tradições do nosso país. Então, a gente está trazendo na primeira sala o Carnaval, o São João, o Círio de Nazaré, o Bumba Meu Boi do Maranhão. E por meio do Boi-Bumbá de Parintins, nós estamos homenageando e fazendo também com que as pessoas possam entender que nós precisamos ter orgulho das nossas manifestações culturais”.
A mostra, dividida em três grandes espaços, conta com 300 peças, apresentando personagens marcantes do espetáculo como o Curupira, a Iara e o Boto Cor-de-Rosa.
Outro destaque são os bonecos do Mini Boi, miniaturas de Boi-Bumbá que surgiram do amor das crianças pelo espetáculo.
A curadora dá mais detalhes.
“Em uma das salas da exposição temos a Sala dos Encantados, que são os verdadeiros guardiões espirituais da Amazônia. E nessa sala, os visitantes vão poder ver o Curupira, a Matita Pereira, a Iara, a Vitória-Régia, o Mapinguari, o Boto Cor-de-Rosa e a Cobra Grande. E para além disso, além da gente trazer o Boi Grande, nós colocamos na exposição também o Mini Boi, o Mini Boi Caprichoso e Mini Boi Garantido”.
A mostra, que está em cartaz desde julho, tem atraído um grande número de visitantes, entre eles estudantes de diversas escolas, que aprendem mais sobre a cultura popular.
Rozana destaca a reação do público.
“A exposição não é só algo bonito. Eu acho que ela está encantando por conta dessa tradição, porque as pessoas sentem que tem história, porque as pessoas sabem que tem verdade. As pessoas vivem e se emocionam com o festival”.
O Festival de Parintins é realizado anualmente em junho na Ilha de Tupinambarana, no Amazonas, e tem raízes no Bumba Meu Boi nordestino. Os bois Garantido, vermelho, e Caprichoso, azul, surgiram no início do século 20 nas camadas populares, onde brincantes dançavam em frente às casas em troca de comida.
A mostra “Boi-Bumbá de Parintins: do Brincar ao Futuro” fica em cartaz até 27 de março do ano que vem. A entrada é franca.
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