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Alimentos ficam mais baratos no mundo e aumentam chance de inflação menor no Brasil

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Os preços globais dos alimentos iniciaram 2026 em queda. Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostra que janeiro marcou o quinto mês consecutivo de recuo no custo internacional da comida, movimento que pode ajudar a aliviar a inflação também no Brasil ao longo do ano.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO — que acompanha uma cesta internacional de commodities — registrou 123,9 pontos em janeiro, baixa de 0,4% em relação a dezembro e de 0,6% na comparação anual.

A retração foi puxada principalmente pelos preços de laticínios, açúcar e carnes, que compensaram a alta observada nos óleos vegetais e no arroz.

O cenário internacional é de grande disponibilidade de alimentos. A FAO estima que a produção mundial de cereais em 2025 atingiu 3,023 bilhões de toneladas, com colheitas recordes de trigo, milho e arroz.
Com isso, os estoques globais devem crescer 7,8%, elevando a relação estoque/consumo para 31,8% — o maior nível desde 2001.

Esse ambiente indica um mercado internacional bem abastecido, reduzindo a pressão sobre os preços.

Entre os produtos:

  • Cereais: leve alta de 0,2%, com arroz subindo 1,8%

  • Óleos vegetais: +2,1%, impulsionados pelo óleo de palma e soja

  • Carnes: -0,4%, com queda da carne suína

  • Laticínios: -5,0%, principalmente queijo e manteiga

  • Açúcar: -1,0%, diante da recuperação produtiva na Índia e boas perspectivas no Brasil e Tailândia

Mesmo com a queda geral, a carne de frango apresentou movimento contrário: os preços internacionais subiram, sustentados pela forte demanda externa e pelo desempenho exportador brasileiro.

O comportamento das commodities alimentares é relevante para o consumidor brasileiro. A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda elevou levemente a previsão de inflação de 2026 para cerca de 3,6%, ainda próxima da meta de 3% e abaixo do IPCA de 2025, que ficou em 4,26%.

Segundo o órgão, a oferta global elevada de bens e combustíveis, somada aos efeitos da política monetária e ao enfraquecimento recente do dólar, deve favorecer a continuidade da desinflação — abrindo espaço para possível redução da taxa básica de juros ao longo do ano.

Apesar do cenário internacional favorável, o governo alerta que alimentos ainda podem apresentar oscilações internas. Eventos climáticos, menor oferta de carne bovina (com retenção de fêmeas no Brasil e nos Estados Unidos) e possíveis reduções na produção de itens como arroz, trigo, tomate e batata podem gerar pressões pontuais nos preços.

Na prática, o mundo bem abastecido ajuda a segurar a inflação geral, mas o comportamento da comida no prato do brasileiro continuará dependendo, sobretudo, do clima e da produção doméstica.

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Agro ajuda Brasil a fechar agosto com superávit de R$ 37,7 bilhões

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O Brasil encerrou agosto com superávit comercial de R$ 37,7 bilhões, crescimento de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi sustentado pelo aumento das exportações de soja, café, animais vivos, carne de frango e farelo de soja, além do avanço das vendas da indústria extrativa e de outros segmentos da indústria de transformação.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras somaram R$ 169,1 bilhões em agosto, alta de 12,2% na comparação anual. As importações cresceram 9,2% e alcançaram R$ 131,4 bilhões.

A corrente de comércio, que corresponde à soma das exportações e importações, movimentou R$ 300,5 bilhões no mês, aumento de 10,9% em relação a agosto do ano passado.

A agropecuária respondeu diretamente por R$ 37,7 bilhões em exportações durante agosto, crescimento de 11,4%. Esse valor considera os produtos classificados pelo governo como pertencentes à atividade agropecuária e não inclui carnes, farelo de soja, açúcar, sucos e outros itens processados contabilizados dentro da indústria de transformação.

Entre os produtos do campo, o valor das exportações de animais vivos avançou 174,3%. As vendas externas de café não torrado cresceram 24,1%, enquanto a soja, principal item da pauta agropecuária brasileira, registrou aumento de 14%.

A contribuição do agronegócio também apareceu entre os produtos industrializados. As exportações de carne de aves e miudezas aumentaram 40,5%, enquanto as vendas de farelo de soja e de outros produtos destinados à alimentação animal cresceram 36,6%.

O desempenho positivo compensou a retração observada em outras cadeias importantes. As exportações de milho não moído caíram 25,3% em agosto. Também houve redução de 34,7% no mel natural e de 35,7% nas vendas de sementes oleaginosas, grupo que inclui produtos como girassol, gergelim, canola e algodão.

Na indústria de transformação, o valor das exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada recuou 19,7% em agosto. Açúcares e melaços tiveram queda de 37%. A redução mensal da carne bovina ocorreu depois de um período de embarques elevados e não anulou o crescimento acumulado pelo setor ao longo do ano.

Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou R$ 1,28 trilhão, aumento de 10,3% na comparação com os primeiros oito meses de 2025. As importações somaram R$ 997,3 bilhões, com crescimento de 6,1%.

Com isso, o superávit comercial acumulado em 2026 chegou a R$ 282,1 bilhões, avanço de 28,2%. A corrente de comércio alcançou R$ 2,28 trilhões no período, alta de 8,4%.

As exportações classificadas como agropecuárias totalizaram R$ 295 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de 9,5%. O resultado foi favorecido pelo aumento de 81,9% nas vendas de animais vivos, de 15,2% nos embarques de soja e de 15,1% nas exportações de algodão em bruto.

A indústria extrativa exportou R$ 316,9 bilhões nos oito primeiros meses, alta de 19,6%. A indústria de transformação respondeu por R$ 660 bilhões, crescimento de 6,6%.

Apesar da queda isolada de agosto, a carne bovina acumulou aumento de 22,3% nas exportações de janeiro a agosto. O desempenho mostra que o recuo mensal ocorreu sobre uma base de vendas externas ainda elevada no conjunto do ano.

Outros produtos do agronegócio apresentaram resultado menos favorável. As exportações acumuladas de trigo e centeio diminuíram 31,3%, enquanto as de milho recuaram 3,6%. O café não torrado acumulou queda de 13,7%, apesar da recuperação registrada em agosto.

Também houve redução de 35,8% nas vendas externas de sucos de frutas e vegetais e de 28,2% nos embarques de açúcares e melaços durante os oito primeiros meses.

Do lado das compras brasileiras, as importações da agropecuária chegaram a R$ 2,4 bilhões em agosto, crescimento de 7,4%. O aumento foi influenciado por pescado, trigo, centeio e produtos hortícolas.

O valor das importações de pescado avançou 64,8%, enquanto as compras de trigo e centeio cresceram 10,5%. Os produtos hortícolas frescos ou refrigerados registraram alta de 54%. Em sentido contrário, as importações de soja diminuíram 22,2%, e as de frutas e nozes não oleaginosas recuaram 9,3%.

A indústria de transformação concentrou a maior parcela das compras externas, com R$ 123 bilhões em agosto, crescimento de 13,4%. No acumulado do ano, as importações do segmento chegaram a aproximadamente R$ 930 bilhões.

Entre os insumos estratégicos para a produção rural, o valor importado de adubos e fertilizantes químicos caiu 35,9% em agosto. As compras de fertilizantes brutos apresentaram redução de 15,6%.

A queda não significa necessariamente redução equivalente no volume desembarcado, porque os dados também refletem mudanças nos preços internacionais. O movimento pode estar relacionado ainda à antecipação de compras, à formação de estoques, à volatilidade do mercado e ao ritmo de aquisição para a safra 2026/2027.

Os números de agosto reforçam o papel do agronegócio na geração de receitas externas e na sustentação do saldo comercial brasileiro. Ao mesmo tempo, a diferença de desempenho entre as cadeias mostra que o resultado depende tanto da produção nacional quanto dos preços internacionais, do câmbio e das condições de acesso aos principais mercados compradores.

Fonte: Pensar Agro

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