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Avanço em monitoramento climático abre novas oportunidades para o agro

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O fortalecimento da base científica para mensurar a emissão de gases de efeito estufa (GEE) está no centro das novas estratégias ambientais do Paraná, que busca alinhar desenvolvimento econômico e sustentabilidade. Na 1ª Conferência Brasileira de Inventariação de Gases de Efeito Estufa, realizada em Curitiba (capital do Paraná), nesta quinta-feira 24.07, o Estado apresentou um conjunto de programas e sistemas que já impactam diretamente a produção agrícola, a gestão de recursos hídricos e a conservação de ativos ambientais essenciais ao setor agropecuário.

O evento teve como principal objetivo integrar iniciativas públicas e privadas no aprimoramento do mapeamento das emissões de GEE. Esse mapeamento é o ponto de partida para políticas de mitigação e adaptação — e também pode ser um diferencial competitivo para o agronegócio, principalmente na abertura de mercados exigentes e na valoração dos créditos de carbono.

A precisão na mensuração das emissões é essencial para o avanço de práticas produtivas de baixo carbono. Ao identificar as principais fontes de emissão — como uso de combustíveis fósseis, manejo de solo, fermentação entérica e queima de resíduos —, é possível direcionar investimentos em tecnologias sustentáveis, como biodigestores, sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e energia solar.

No Paraná, o Programa Paranaclima é a principal plataforma pública de acesso a dados históricos, atuais e projeções futuras sobre o clima. Com séries desde 1850, o sistema disponibiliza simulações que indicam áreas vulneráveis à seca, erosão e eventos climáticos extremos — dados que podem ser utilizados por cooperativas, associações e produtores na gestão de risco climático e no planejamento da próxima safra.

Programas como o RenovaPR têm incentivado a adoção de tecnologias limpas no campo, com ênfase na energia solar e eficiência energética. Já o Prosolo Paraná atua diretamente na conservação do solo e da água, pilares da produtividade agrícola, ao estimular práticas como o terraceamento, plantio direto e cercamento de nascentes.

Outro avanço foi a obrigatoriedade do Diagnóstico Climático em processos de licenciamento ambiental que exigem EIA-RIMA. Essa exigência se conecta com o Selo Clima, instrumento de reconhecimento para empreendimentos que adotam ações comprovadas de mitigação e adaptação.

As ferramentas desenvolvidas pelo Simepar também apontam novas possibilidades para o agronegócio. O VFogo, por exemplo, fornece alertas de focos de calor em tempo real — informação crucial para regiões com produção de grãos, cana e pastagens. Já o IrrigaSIM mapeia o potencial de irrigação de áreas agrícolas e está sendo estruturado para integrar dados via inteligência artificial.

Com o avanço da definição de “estoque de florestas”, abre-se também um mercado alternativo de compensações ambientais. O produtor que não dispõe de área para recomposição florestal poderá realizar a compensação em áreas mapeadas pelo estado, com respaldo técnico e jurídico. Isso se soma às possibilidades de geração de receita via créditos de carbono, um mercado que tende a crescer com as exigências de rastreabilidade e sustentabilidade impostas pelo comércio internacional.

A crescente exigência por cadeias produtivas mais sustentáveis e a consolidação de políticas públicas de incentivo à descarbonização colocam o agronegócio no centro da transição verde. Inventariar emissões, adotar soluções integradas e acessar o mercado de carbono não são apenas medidas ambientais — são, sobretudo, estratégias econômicas para manter a competitividade da produção brasileira diante das exigências globais.

O evento foi promovido pelo Governo do Estado, por meio do Instituto Água e Terra (IAT) e do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

Fonte: Pensar Agro

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Agro ajuda Brasil a fechar agosto com superávit de R$ 37,7 bilhões

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O Brasil encerrou agosto com superávit comercial de R$ 37,7 bilhões, crescimento de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi sustentado pelo aumento das exportações de soja, café, animais vivos, carne de frango e farelo de soja, além do avanço das vendas da indústria extrativa e de outros segmentos da indústria de transformação.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras somaram R$ 169,1 bilhões em agosto, alta de 12,2% na comparação anual. As importações cresceram 9,2% e alcançaram R$ 131,4 bilhões.

A corrente de comércio, que corresponde à soma das exportações e importações, movimentou R$ 300,5 bilhões no mês, aumento de 10,9% em relação a agosto do ano passado.

A agropecuária respondeu diretamente por R$ 37,7 bilhões em exportações durante agosto, crescimento de 11,4%. Esse valor considera os produtos classificados pelo governo como pertencentes à atividade agropecuária e não inclui carnes, farelo de soja, açúcar, sucos e outros itens processados contabilizados dentro da indústria de transformação.

Entre os produtos do campo, o valor das exportações de animais vivos avançou 174,3%. As vendas externas de café não torrado cresceram 24,1%, enquanto a soja, principal item da pauta agropecuária brasileira, registrou aumento de 14%.

A contribuição do agronegócio também apareceu entre os produtos industrializados. As exportações de carne de aves e miudezas aumentaram 40,5%, enquanto as vendas de farelo de soja e de outros produtos destinados à alimentação animal cresceram 36,6%.

O desempenho positivo compensou a retração observada em outras cadeias importantes. As exportações de milho não moído caíram 25,3% em agosto. Também houve redução de 34,7% no mel natural e de 35,7% nas vendas de sementes oleaginosas, grupo que inclui produtos como girassol, gergelim, canola e algodão.

Na indústria de transformação, o valor das exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada recuou 19,7% em agosto. Açúcares e melaços tiveram queda de 37%. A redução mensal da carne bovina ocorreu depois de um período de embarques elevados e não anulou o crescimento acumulado pelo setor ao longo do ano.

Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou R$ 1,28 trilhão, aumento de 10,3% na comparação com os primeiros oito meses de 2025. As importações somaram R$ 997,3 bilhões, com crescimento de 6,1%.

Com isso, o superávit comercial acumulado em 2026 chegou a R$ 282,1 bilhões, avanço de 28,2%. A corrente de comércio alcançou R$ 2,28 trilhões no período, alta de 8,4%.

As exportações classificadas como agropecuárias totalizaram R$ 295 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de 9,5%. O resultado foi favorecido pelo aumento de 81,9% nas vendas de animais vivos, de 15,2% nos embarques de soja e de 15,1% nas exportações de algodão em bruto.

A indústria extrativa exportou R$ 316,9 bilhões nos oito primeiros meses, alta de 19,6%. A indústria de transformação respondeu por R$ 660 bilhões, crescimento de 6,6%.

Apesar da queda isolada de agosto, a carne bovina acumulou aumento de 22,3% nas exportações de janeiro a agosto. O desempenho mostra que o recuo mensal ocorreu sobre uma base de vendas externas ainda elevada no conjunto do ano.

Outros produtos do agronegócio apresentaram resultado menos favorável. As exportações acumuladas de trigo e centeio diminuíram 31,3%, enquanto as de milho recuaram 3,6%. O café não torrado acumulou queda de 13,7%, apesar da recuperação registrada em agosto.

Também houve redução de 35,8% nas vendas externas de sucos de frutas e vegetais e de 28,2% nos embarques de açúcares e melaços durante os oito primeiros meses.

Do lado das compras brasileiras, as importações da agropecuária chegaram a R$ 2,4 bilhões em agosto, crescimento de 7,4%. O aumento foi influenciado por pescado, trigo, centeio e produtos hortícolas.

O valor das importações de pescado avançou 64,8%, enquanto as compras de trigo e centeio cresceram 10,5%. Os produtos hortícolas frescos ou refrigerados registraram alta de 54%. Em sentido contrário, as importações de soja diminuíram 22,2%, e as de frutas e nozes não oleaginosas recuaram 9,3%.

A indústria de transformação concentrou a maior parcela das compras externas, com R$ 123 bilhões em agosto, crescimento de 13,4%. No acumulado do ano, as importações do segmento chegaram a aproximadamente R$ 930 bilhões.

Entre os insumos estratégicos para a produção rural, o valor importado de adubos e fertilizantes químicos caiu 35,9% em agosto. As compras de fertilizantes brutos apresentaram redução de 15,6%.

A queda não significa necessariamente redução equivalente no volume desembarcado, porque os dados também refletem mudanças nos preços internacionais. O movimento pode estar relacionado ainda à antecipação de compras, à formação de estoques, à volatilidade do mercado e ao ritmo de aquisição para a safra 2026/2027.

Os números de agosto reforçam o papel do agronegócio na geração de receitas externas e na sustentação do saldo comercial brasileiro. Ao mesmo tempo, a diferença de desempenho entre as cadeias mostra que o resultado depende tanto da produção nacional quanto dos preços internacionais, do câmbio e das condições de acesso aos principais mercados compradores.

Fonte: Pensar Agro

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