Agricultura
Carne bovina resiste ao tarifaço apostando em novos mercados e triangulação
Agricultura
O mercado brasileiro de carne bovina entrou em setembro sob o efeito pleno da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. O temor inicial era de um impacto bilionário no setor, mas cálculos mais recentes apontam que a perda de receita deve ser significativamente menor.
A estimativa da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que no início do ano girava em torno de R$ 5,4 bilhões, foi revista para algo entre R$ 1,6 bilhão e R$ 2,1 bilhões. A expectativa é de que esse valor seja diluído mês a mês, conforme o comércio internacional se reorganiza.
O ponto central é que o mercado global de proteína animal não funciona de forma isolada. Quando os Estados Unidos aplicam barreiras contra a carne brasileira, outros países tendem a ajustar sua oferta. É o caso da Austrália, que deve direcionar mais embarques ao mercado americano, abrindo espaço em nações asiáticas. O Brasil, impedido de vender diretamente aos EUA, encontra nesses países oportunidades para ocupar as lacunas deixadas pelos australianos.
Além disso, cresce a possibilidade de triangulação comercial. Produtos brasileiros, como carne e café, podem chegar ao mercado norte-americano via países vizinhos ou parceiros comerciais, como Argentina, Uruguai, Colômbia e México. A prática exige cautela regulatória, mas já faz parte da discussão sobre como reduzir os efeitos do tarifaço.
O setor também aposta em um movimento diplomático para ampliar mercados e agregar valor às exportações. O Japão é visto como uma das maiores oportunidades. A expectativa é de que o país abra seu mercado à carne bovina brasileira ainda em 2025, durante encontros de alto nível previstos para novembro.
Além disso, Ásia e Oriente Médio seguem no radar. Recentes avanços incluem a autorização para venda de miúdos à Indonésia e negociações em andamento com Vietnã, Filipinas e Malásia. A Turquia também figura entre os destinos de interesse, embora questões técnicas ainda travem o processo.
A revisão para baixo do impacto financeiro mostra que a cadeia da carne brasileira conseguiu reagir mais rápido do que se esperava. A combinação de demanda aquecida em países asiáticos, realinhamento de fluxos globais e abertura de novos mercados deve compensar, ao menos em parte, a perda de espaço nos Estados Unidos.
Para o setor, o desafio agora é consolidar essas alternativas. A estratégia passa por ampliar a lista de países compradores, valorizar cortes menos consumidos no Brasil, como miúdos, e usar a diplomacia comercial para transformar crises em oportunidades.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Semana do Aviador começa com debates sobre segurança e tecnologia no campo
A 2ª Semana do Aviador começou nesta sexta-feira (11), em Lucas do Rio Verde, com uma programação voltada ao mercado, à segurança operacional e à legislação da aviação agrícola. O evento segue até sábado (12), na pista do Show Safra, reunindo pilotos, empresas, produtores rurais, especialistas e representantes do poder público.
A abertura contou com a presença de Joci Piccini, presidente da Fundação Rio Verde, e de Rodrigo, diretor-executivo da entidade. Também participaram Cláudio Júnior Oliveira, diretor do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), e Omar, representante do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), produtores e autoriaades.
Realizada pela Fundação Rio Verde, a Semana do Aviador combina conteúdo técnico com demonstrações de aeronaves, equipamentos embarcados, acrobacias aéreas e voos panorâmicos. A proposta é aproximar profissionais, produtores e comunidade de uma atividade que ocupa posição estratégica no agronegócio brasileiro.
Na abertura, os debates trataram dos desafios enfrentados pelo setor, principalmente na formação dos profissionais, no cumprimento das normas e na adoção de procedimentos capazes de reduzir riscos durante as operações.
A aviação agrícola permite realizar aplicações em grandes áreas e dentro de janelas cada vez mais curtas. Em culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar, o recurso pode ser decisivo para controlar pragas e doenças antes que provoquem perdas expressivas.
A velocidade, porém, precisa estar acompanhada de planejamento, qualificação e respeito às condições meteorológicas e ambientais. Erros na escolha do produto, na regulagem dos equipamentos ou no momento da aplicação podem reduzir a eficiência, elevar custos e atingir áreas que não fazem parte da operação.
O debate ganha relevância especial em Mato Grosso, maior produtor brasileiro de grãos e fibras e um dos principais mercados da aviação agrícola. O Brasil possui a segunda maior frota aeroagrícola do mundo, resultado da expansão da produção e da necessidade de atender propriedades de grande extensão.
Além do conteúdo profissional, a programação busca apresentar a atividade à população. Demonstrações aéreas e outras atrações permitem que estudantes e moradores conheçam de perto as aeronaves e a tecnologia utilizada nas lavouras.
O Pensar Agro está entre os apoiadores da Semana do Aviador, ao lado da Federação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de Mato Grosso (Feagro-MT).
Serviço
2ª Semana do Aviador
Data: 11 e 12 de setembro
Local: pista do Show Safra, em Lucas do Rio Verde (MT)
Fonte: Pensar Agro
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