Agricultura
Congresso discute criar modelo de crédito rural inspirado nos EUA
Agricultura
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) voltou a defender mudanças estruturais na política de crédito rural do País e propôs a criação de uma legislação inspirada na Farm Bill dos Estados Unidos, com planejamento plurianual e maior previsibilidade para o financiamento da produção agrícola.
A proposta foi apresentada nesta quarta-feira (11) durante sessão solene na Câmara dos Deputados. O presidente da bancada, o deputado Pedro Lupion (PR), afirmou que o modelo atual do Plano Safra se tornou insuficiente para atender às necessidades do setor.
Segundo ele, a ideia é criar um instrumento de política agrícola permanente, com planejamento de longo prazo e menos dependência de decisões anuais do governo. “Chega de ter Plano Safra em julho, com orçamento já defasado. Precisamos de um plano plurianual que dê previsibilidade e atravesse diferentes governos, para que o financiamento ao agro deixe de ser política de governo e passe a ser política de Estado”, afirmou.
A vice-presidente da frente, a senadora Tereza Cristina (MS), reforçou a avaliação de que o modelo atual precisa ser revisto diante das dificuldades crescentes de acesso ao crédito rural e do aumento do endividamento de produtores.
“Temos que ter atenção ao crédito. O modelo do Plano Safra está ultrapassado. Precisamos encontrar um sistema que garanta ao produtor acesso ao financiamento e também ao seguro rural”, disse.
Guerra pressiona custos do agro
Os parlamentares também demonstraram preocupação com os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os custos de produção da agropecuária brasileira. Segundo eles, a escalada do conflito já começa a refletir no preço e na disponibilidade de insumos estratégicos.
Tereza Cristina afirmou que o aumento do diesel é um dos primeiros sinais da pressão sobre o setor. “Temos a venda de milho para o Irã e a dependência de fertilizantes importados. Isso é custo de produção que vai aumentar em um momento em que as commodities estão com preços baixos”, afirmou.
Lupion também mencionou o risco de restrições no fornecimento global de combustíveis caso persistam as tensões envolvendo rotas estratégicas de transporte de petróleo, como o Estreito de Ormuz.
Segundo ele, o Brasil ainda depende de importações para atender parte da demanda por diesel, o que aumenta a vulnerabilidade do setor agrícola em períodos de instabilidade internacional.
Diante do cenário, integrantes da FPA voltaram a defender o aumento da participação de biocombustíveis na matriz energética, com ampliação das misturas obrigatórias de biodiesel ao diesel e de etanol à gasolina.
O tema poderia ser analisado nesta quinta-feira (12) pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), responsável por definir diretrizes para o setor energético, mas a reunião prevista para discutir o assunto acabou cancelada.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Agro ajuda Brasil a fechar agosto com superávit de R$ 37,7 bilhões
O Brasil encerrou agosto com superávit comercial de R$ 37,7 bilhões, crescimento de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi sustentado pelo aumento das exportações de soja, café, animais vivos, carne de frango e farelo de soja, além do avanço das vendas da indústria extrativa e de outros segmentos da indústria de transformação.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras somaram R$ 169,1 bilhões em agosto, alta de 12,2% na comparação anual. As importações cresceram 9,2% e alcançaram R$ 131,4 bilhões.
A corrente de comércio, que corresponde à soma das exportações e importações, movimentou R$ 300,5 bilhões no mês, aumento de 10,9% em relação a agosto do ano passado.
A agropecuária respondeu diretamente por R$ 37,7 bilhões em exportações durante agosto, crescimento de 11,4%. Esse valor considera os produtos classificados pelo governo como pertencentes à atividade agropecuária e não inclui carnes, farelo de soja, açúcar, sucos e outros itens processados contabilizados dentro da indústria de transformação.
Entre os produtos do campo, o valor das exportações de animais vivos avançou 174,3%. As vendas externas de café não torrado cresceram 24,1%, enquanto a soja, principal item da pauta agropecuária brasileira, registrou aumento de 14%.
A contribuição do agronegócio também apareceu entre os produtos industrializados. As exportações de carne de aves e miudezas aumentaram 40,5%, enquanto as vendas de farelo de soja e de outros produtos destinados à alimentação animal cresceram 36,6%.
O desempenho positivo compensou a retração observada em outras cadeias importantes. As exportações de milho não moído caíram 25,3% em agosto. Também houve redução de 34,7% no mel natural e de 35,7% nas vendas de sementes oleaginosas, grupo que inclui produtos como girassol, gergelim, canola e algodão.
Na indústria de transformação, o valor das exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada recuou 19,7% em agosto. Açúcares e melaços tiveram queda de 37%. A redução mensal da carne bovina ocorreu depois de um período de embarques elevados e não anulou o crescimento acumulado pelo setor ao longo do ano.
Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou R$ 1,28 trilhão, aumento de 10,3% na comparação com os primeiros oito meses de 2025. As importações somaram R$ 997,3 bilhões, com crescimento de 6,1%.
Com isso, o superávit comercial acumulado em 2026 chegou a R$ 282,1 bilhões, avanço de 28,2%. A corrente de comércio alcançou R$ 2,28 trilhões no período, alta de 8,4%.
As exportações classificadas como agropecuárias totalizaram R$ 295 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de 9,5%. O resultado foi favorecido pelo aumento de 81,9% nas vendas de animais vivos, de 15,2% nos embarques de soja e de 15,1% nas exportações de algodão em bruto.
A indústria extrativa exportou R$ 316,9 bilhões nos oito primeiros meses, alta de 19,6%. A indústria de transformação respondeu por R$ 660 bilhões, crescimento de 6,6%.
Apesar da queda isolada de agosto, a carne bovina acumulou aumento de 22,3% nas exportações de janeiro a agosto. O desempenho mostra que o recuo mensal ocorreu sobre uma base de vendas externas ainda elevada no conjunto do ano.
Outros produtos do agronegócio apresentaram resultado menos favorável. As exportações acumuladas de trigo e centeio diminuíram 31,3%, enquanto as de milho recuaram 3,6%. O café não torrado acumulou queda de 13,7%, apesar da recuperação registrada em agosto.
Também houve redução de 35,8% nas vendas externas de sucos de frutas e vegetais e de 28,2% nos embarques de açúcares e melaços durante os oito primeiros meses.
Do lado das compras brasileiras, as importações da agropecuária chegaram a R$ 2,4 bilhões em agosto, crescimento de 7,4%. O aumento foi influenciado por pescado, trigo, centeio e produtos hortícolas.
O valor das importações de pescado avançou 64,8%, enquanto as compras de trigo e centeio cresceram 10,5%. Os produtos hortícolas frescos ou refrigerados registraram alta de 54%. Em sentido contrário, as importações de soja diminuíram 22,2%, e as de frutas e nozes não oleaginosas recuaram 9,3%.
A indústria de transformação concentrou a maior parcela das compras externas, com R$ 123 bilhões em agosto, crescimento de 13,4%. No acumulado do ano, as importações do segmento chegaram a aproximadamente R$ 930 bilhões.
Entre os insumos estratégicos para a produção rural, o valor importado de adubos e fertilizantes químicos caiu 35,9% em agosto. As compras de fertilizantes brutos apresentaram redução de 15,6%.
A queda não significa necessariamente redução equivalente no volume desembarcado, porque os dados também refletem mudanças nos preços internacionais. O movimento pode estar relacionado ainda à antecipação de compras, à formação de estoques, à volatilidade do mercado e ao ritmo de aquisição para a safra 2026/2027.
Os números de agosto reforçam o papel do agronegócio na geração de receitas externas e na sustentação do saldo comercial brasileiro. Ao mesmo tempo, a diferença de desempenho entre as cadeias mostra que o resultado depende tanto da produção nacional quanto dos preços internacionais, do câmbio e das condições de acesso aos principais mercados compradores.
Fonte: Pensar Agro
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