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Exportações de carne bovina devem bater recorde em 2025: R$ 100 bilhões 

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As exportações brasileiras de carne bovina devem bater um novo recorde em 2025 e passar de R$ 100 bilhões em faturamento, de acordo com projeções da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). A entidade estima receita superior ao equivalente a US$ 18 bilhões neste ano, considerando o dólar em torno de R$ 5,59.

Em 2024, o setor havia faturado cerca de R$ 73,5 bilhões com as vendas externas (US$ 13,135 bilhões), o que significa um crescimento próximo de 37% na receita em apenas um ano. O volume embarcado também deve subir, passando de 3,19 milhões de toneladas em 2024 para quase 4 milhões de toneladas em 2025, segundo os números compilados pela Abrafrigo.

No acumulado de janeiro a novembro de 2025, as exportações de carne bovina já somaram o equivalente a R$ 92,3 bilhões, com base em uma receita de US$ 16,53 bilhões e na cotação atual do dólar, e volume de 3,51 milhões de toneladas. Nesse período, a alta foi de 37,5% na receita e de 19% no volume na comparação com os 11 primeiros meses de 2024.

China segue como principal destino e responde por cerca de metade de tudo o que o Brasil exporta em carne bovina. De janeiro a novembro, as compras chinesas somaram o equivalente a cerca de R$ 44,9 bilhões, a partir de US$ 8,029 bilhões em receita, com 1,499 milhão de toneladas embarcadas. A participação da China nas exportações de carne bovina in natura subiu de 51% para 54% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O preço médio da carne bovina in natura vendida para o mercado chinês avançou 19,5% em 2025, para algo próximo de R$ 29,9 mil por tonelada, a partir de um valor em dólar de US$ 5.355 por tonelada. Esse aumento acompanha a valorização do boi gordo no mercado interno, em um momento em que o ciclo pecuário indica oferta mais enxuta de animais terminados e tendência de preços firmes também para 2026.

Além da China, a Abrafrigo destaca o crescimento das vendas para mercados como México, Rússia, União Europeia, Chile e Estados Unidos, que voltaram a comprar mais após o fim das tarifas extras impostas temporariamente pelo governo norte‑americano. Para a entidade, a combinação de demanda forte no exterior, preços em alta e câmbio favorável ajuda a explicar o salto nas exportações brasileiras de carne bovina em 2025.

Fonte: Pensar Agro

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Crédito privado cresce e amortece recuo do Plano Safra

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O avanço dos instrumentos privados de financiamento está ajudando o agronegócio a cobrir parte do espaço deixado pela retração das linhas tradicionais de crédito rural. O estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) chegou a R$ 576,4 bilhões em junho, crescimento de 12% em 12 meses, enquanto fundos e títulos ligados ao setor também ganharam participação.

Os saldos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) cresceram 81% em dois anos. No mesmo período, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) avançaram 9%. A expansão mostra que o financiamento da produção está se tornando mais diversificado e menos concentrado nos bancos.

Essa alternativa ganhou importância porque a área financiada pelas linhas de custeio do Plano Safra diminuiu 25,8% em 12 meses. O total passou de 34,2 milhões de hectares em julho de 2025 para 25,4 milhões no mesmo mês deste ano, segundo dados do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O valor liberado caiu em proporção menor, de R$ 205,8 bilhões para R$ 181,1 bilhões, retração de 12%. O número de contratos recuou 10,3%, de 867 mil para 777,8 mil.

Na prática, o financiamento médio aumentou de aproximadamente R$ 6 mil para R$ 7,1 mil por hectare. Isso mostra que o crédito disponível está cobrindo uma área menor e acompanhando, ao menos parcialmente, o aumento dos custos de produção.

As CPRs permitem ao produtor levantar recursos tendo como referência a produção rural, com pagamento em produto ou dinheiro. O instrumento pode ser negociado com bancos, cooperativas, tradings, fornecedores e investidores, ampliando as possibilidades além das linhas oficiais.

As emissões de CPRs somaram R$ 377,8 bilhões durante a safra 2025/26. Embora o estoque continue crescendo, o ritmo das novas operações perdeu força, sinal de que o crédito privado também sente os efeitos dos juros elevados e da maior cautela dos financiadores.

O acesso a essas alternativas ainda é desigual. Grandes produtores, cooperativas e empresas com maior capacidade de oferecer garantias conseguem chegar com mais facilidade ao mercado privado. Pequenos e médios agricultores continuam mais dependentes dos bancos, das cooperativas de crédito e das linhas subsidiadas do Plano Safra.

A maior seletividade está relacionada ao crescimento das operações rurais com algum grau de dificuldade. Em julho, 23,5% da carteira ativa estava classificada como problemática, somando R$ 207,5 bilhões. Esse valor não representa apenas inadimplência: inclui contratos em atraso, renegociados ou prorrogados.

As instituições financeiras também passaram a reconhecer antecipadamente possíveis perdas, conforme as regras da Resolução 4.966, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em vigor desde janeiro de 2025, a norma leva os bancos a aumentar as reservas quando identificam deterioração na capacidade de pagamento, o que reforça a cautela nas novas concessões.

No Rio Grande do Sul, onde sucessivas perdas climáticas elevaram o endividamento, a área financiada caiu 29,3%. O valor contratado recuou 18,3%, para R$ 23,1 bilhões, e o número de operações diminuiu 16,4%, para 189,6 mil.

Apesar da retração, os resultados atuais da produção, das exportações e dos preços dos alimentos permanecem sustentados por lavouras implantadas com recursos contratados anteriormente. O efeito da redução mais recente do crédito será conhecido com maior clareza durante a safra 2026/27.

O crescimento das CPRs, dos CRAs e dos Fiagros mostra que o setor encontrou novos caminhos para financiar a produção. Esses instrumentos ainda não substituem o crédito bancário, principalmente para pequenos e médios produtores, mas ampliam as fontes de recursos e reduzem parte da dependência do Plano Safra.

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