Agricultura
Fórum discute crédito e endividamento no campo em Mato Grosso
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Em meio ao aumento da inadimplência no setor agropecuário, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) realizou nesta segunda-feira (15.09) o Fórum de Crédito e Endividamento Rural.
O encontro reuniu produtores, representantes de instituições financeiras públicas e privadas, juristas, membros do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e especialistas em economia e gestão rural, com o objetivo de buscar alternativas para garantir viabilidade financeira e segurança jurídica ao campo.
Segundo levantamento da Serasa Experian, cerca de 28% dos produtores rurais no Brasil enfrentam inadimplência, enquanto pesquisas regionais apontam que em Mato Grosso o índice chega a quase um quarto dos produtores com dívidas atrasadas. Em alguns segmentos, como grandes proprietários ou produtores sem registro formal, a taxa supera os 10%. O cenário reforçou a urgência das discussões.
Entre os participantes estavam produtores rurais, representantes do Banco Central, Banco do Brasil, cooperativas de crédito, agroindústrias, membros do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), governo estadual, operadores do direito e entidades de classe profissional. A proposta central foi construir soluções financeiras de longo prazo que permitam a quitação de dívidas, reduzam a insegurança e mantenham a viabilidade econômica das propriedades rurais.
A programação trouxe palestras e painéis técnicos. O economista Fábio Silveira, da MacroSector Consultores, analisou o cenário econômico e seus impactos sobre a renda dos produtores. O jurista Lutero Paiva, referência em Direito Agrofinanceiro, falou sobre mecanismos legais de alongamento de dívidas e segurança contratual. Já Ângelo Ozelame, CEO da Lucro Rural, apresentou experiências práticas de gestão de fluxo de caixa no campo. O presidente do Nupemec/TJMT, desembargador Mário Kono, destacou o uso de métodos consensuais como ferramenta para a renegociação de passivos.
O peso do agronegócio no PIB brasileiro também foi ressaltado. O setor responde por cerca de 25% da riqueza nacional e sustenta milhões de empregos diretos e indiretos. Em Mato Grosso, a participação é ainda mais significativa, movimentando a economia de diversos municípios e gerando arrecadação tributária. Por isso, a crise financeira enfrentada pelos produtores não é um problema isolado, mas um desafio que afeta toda a sociedade brasileira.
Um dos pontos centrais do fórum foi a necessidade de segurança jurídica para o produtor rural. Juristas e magistrados defenderam regras claras, contratos equilibrados e mecanismos eficazes de renegociação que garantam tanto a proteção do produtor quanto a estabilidade das instituições financeiras.
O presidente da Federação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de Mato Grosso (Feagro) e também presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), reforçou a importância estratégica dos profissionais que atuam diretamente no setor agropecuário.
“Os dados mostram que uma parcela muito significativa dos produtores não está apenas sob pressão dos custos de produção, mas já está sendo sufocada pelas dívidas. Quando 28% estão inadimplentes ou quando grandes produtores ou os sem cadastro formal alcançam 10% ou mais, isso não é instabilidade: é sinal de esgotamento”.
Para Rezende, é inaceitável que profissionais da agronomia, engenheiros e técnicos vejam seu trabalho ser comprometido por falta de segurança, de crédito justo e de respaldo legal. “Nós precisamos de soluções que realmente considerem o produtor, não só como peça na cadeia produtiva, mas como agente que merece retorno, dignidade e viabilidade”, afirmou Rezende.
Ele também ressaltou que os engenheiros agrônomos, técnicos e especialistas das geociências têm papel essencial nesse cenário: “Não basta aplicar técnica. É necessário criar processos, modelos e políticas que protejam contra a dívidas crescentes; que permitam planejamento; que devolvam autonomia ao produtor para que ele produza sem viver sob sombra de inadimplência constante.”
Segundo ele, engenheiros agrônomos, técnicos e especialistas em ciências agrárias são agentes fundamentais de inovação e sustentabilidade, desempenhando papel decisivo na busca por equilíbrio econômico e financeiro em um período de incertezas.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Com custos em alta, eficiência passa a definir competitividade no agro
A combinação de juros elevados, custos de produção pressionados, instabilidade geopolítica e preços mais baixos das commodities tem imposto desafios adicionais ao agronegócio brasileiro em 2026. Na Bahia, porém, produtores apostam em ganhos de produtividade, tecnologia e gestão para atravessar um dos cenários mais complexos dos últimos anos sem comprometer a expansão da atividade. A estratégia ganha relevância às vésperas da Bahia Farm Show, principal feira agrícola do Norte e Nordeste, que começa nesta semana em Luís Eduardo Magalhães.
O desafio não é pequeno. O aumento dos custos dos fertilizantes, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio e pela valorização do petróleo, se soma ao crédito rural mais caro e às incertezas sobre o comportamento do clima na próxima safra. Ao mesmo tempo, produtores convivem com margens mais apertadas diante da acomodação dos preços internacionais da soja, do milho e do algodão.
Mesmo assim, o agro baiano chega ao novo ciclo sustentado por um diferencial que tem chamado a atenção do setor: o avanço consistente da produtividade. No Oeste da Bahia, principal fronteira agrícola do estado, a produção de soja registrou recordes sucessivos de rendimento nos últimos anos, resultado da adoção de novas tecnologias, melhor manejo agronômico e investimentos em genética e agricultura de precisão.
Os números ajudam a explicar o otimismo cauteloso dos produtores. Em 2025, a Bahia colheu uma safra recorde superior a 12,8 milhões de toneladas de grãos, com crescimento de 12,8% sobre o ano anterior. A soja alcançou 8,6 milhões de toneladas, avanço de 14,3%, enquanto o milho cresceu 18,2%. O algodão, uma das principais culturas de exportação do estado, também ampliou sua produção.
Para a safra 2025/26, as projeções apontam um novo avanço. Levantamentos do setor indicam que a produção baiana de grãos e fibras poderá superar 14 milhões de toneladas, consolidando a liderança do estado dentro da região do Matopiba, considerada a principal fronteira de expansão agrícola do país.
O desempenho do campo já vem refletindo diretamente na economia estadual. Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia mostram que a agropecuária cresceu 12,4% no quarto trimestre de 2025, desempenho muito superior ao avanço de 2,3% registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia no mesmo período. O Valor Bruto da Produção agropecuária alcançou R$ 4,9 bilhões no trimestre, confirmando o papel do setor como principal motor da economia baiana.
Além das lavouras de grãos, outras cadeias vêm reforçando a diversificação do agro estadual. A produção de café avançou 5,1% em 2025, enquanto a cacauicultura registrou crescimento de 7%, beneficiada pela forte demanda internacional e pelos elevados preços da commodity. Na pecuária, o aumento dos abates e da produção de leite também contribuiu para sustentar a renda no interior do estado.
O principal desafio agora é manter a competitividade diante da escalada dos custos. Lideranças do setor avaliam que o produtor precisará ser ainda mais eficiente na gestão financeira, antecipando compras de insumos, reduzindo desperdícios e utilizando ferramentas de comercialização capazes de proteger margens. A palavra de ordem passou a ser planejamento.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com fatores que escapam ao controle das fazendas. O comportamento do clima, a volatilidade dos mercados internacionais e possíveis interrupções nas cadeias globais de fertilizantes continuam no radar dos produtores. Para especialistas, a capacidade de combinar produtividade elevada com gestão de risco será decisiva para determinar quem conseguirá atravessar o atual ciclo de incertezas.
Se há um consenso entre lideranças do setor, é que a Bahia deixou de competir apenas pela expansão de área. O avanço do agro estadual passa cada vez mais pela capacidade de produzir mais por hectare, com maior eficiência e menor custo. Em um ambiente de margens pressionadas, a produtividade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar uma condição de sobrevivência
Fonte: Pensar Agro
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