Agricultura
Frete mais caro pressiona escoamento da safra e eleva custos logísticos neste início de ano
Agricultura
O custo para transportar grãos no Brasil entrou em um dos períodos mais pressionados do calendário agrícola. Com a colheita de soja ganhando ritmo e a concentração do escoamento nos principais corredores logísticos, os valores do frete rodoviário devem subir cerca de 20% ao longo deste mês, alcançando o patamar mais elevado do ano. Ainda assim, a expectativa é de que o pico fique abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
O principal fator por trás dessa pressão é o avanço acelerado da colheita no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso. Diferentemente do início de 2025, quando houve atraso na retirada da soja em algumas regiões, o volume de grão chegando ao mercado em 2026 ocorre de forma mais concentrada. A entrada da produção de outros Estados nas próximas semanas tende a manter os fretes elevados por mais tempo, prolongando o período de custos logísticos altos para o produtor.
Outro elemento que sustenta esse cenário é a forte demanda nos portos. A programação de embarques segue intensa, com destaque para Santos, onde o volume de navios aguardando carga aumenta a disputa por caminhões. Em um país que não consegue armazenar toda a safra que produz, a necessidade de escoar parte relevante da produção logo no início da colheita acaba empurrando o produtor para um frete mais caro.
Hoje, a capacidade estática de armazenagem no Brasil cobre cerca de 70% da produção agrícola. O número contrasta com o de países concorrentes, como os Estados Unidos, que possuem estrutura para estocar mais do que produzem. Na prática, essa limitação obriga o agricultor brasileiro a vender e transportar a safra em momentos de maior congestionamento logístico, reduzindo margem e poder de negociação.
No caso do açúcar, a tendência também é de elevação nos custos de transporte entre fevereiro e março, período em que o produto passa a disputar espaço com os grãos rumo aos portos. A alta, no entanto, deve ser mais moderada do que a observada no início do ano passado. A explicação está no cenário internacional: a queda dos preços do açúcar e o excesso de oferta global tendem a estimular um maior direcionamento da cana para a produção de etanol, o que reduz a pressão logística sobre o adoçante.
Para o setor de fertilizantes, o quadro inspira atenção redobrada. A relação de troca entre soja e insumos está entre as mais desfavoráveis dos últimos três anos, combinando preços do grão em queda durante a colheita com valores ainda elevados dos fertilizantes. Esse descompasso pode afetar decisões de compra ao longo de 2026 e, mais à frente, comprometer níveis de fertilidade das lavouras na safra seguinte.
Além disso, ajustes recentes no piso mínimo do frete rodoviário tendem a ter impacto mais visível justamente nos períodos de menor movimento, quando os preços costumam cair. Como os fertilizantes tradicionalmente se beneficiam do retorno dos caminhões que levam grãos aos portos, o piso mais alto pode reduzir essa vantagem logística e elevar o custo final do insumo ao produtor.
Outro ponto que passou a pesar na conta do frete é o aumento da fiscalização. Desde o fim do ano passado, a exigência de declaração eletrônica dos valores pagos trouxe mais rigor ao cumprimento do piso mínimo. O resultado tem sido um salto no número de autuações, que atingiu patamares recordes. Em poucos meses, as multas já superam com folga a média observada ao longo da última década, reforçando a percepção de que o frete mais caro não é apenas conjuntural, mas também regulatório.
Para o produtor rural, o recado é claro: logística voltou a ser um dos principais gargalos da rentabilidade. Planejamento de venda, escalonamento do escoamento e uso estratégico da armazenagem disponível passam a ser decisivos para reduzir impactos em um momento em que o custo de tirar a safra da porteira para frente volta a pesar — e muito — na conta final do agro.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Com custos em alta, eficiência passa a definir competitividade no agro
A combinação de juros elevados, custos de produção pressionados, instabilidade geopolítica e preços mais baixos das commodities tem imposto desafios adicionais ao agronegócio brasileiro em 2026. Na Bahia, porém, produtores apostam em ganhos de produtividade, tecnologia e gestão para atravessar um dos cenários mais complexos dos últimos anos sem comprometer a expansão da atividade. A estratégia ganha relevância às vésperas da Bahia Farm Show, principal feira agrícola do Norte e Nordeste, que começa nesta semana em Luís Eduardo Magalhães.
O desafio não é pequeno. O aumento dos custos dos fertilizantes, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio e pela valorização do petróleo, se soma ao crédito rural mais caro e às incertezas sobre o comportamento do clima na próxima safra. Ao mesmo tempo, produtores convivem com margens mais apertadas diante da acomodação dos preços internacionais da soja, do milho e do algodão.
Mesmo assim, o agro baiano chega ao novo ciclo sustentado por um diferencial que tem chamado a atenção do setor: o avanço consistente da produtividade. No Oeste da Bahia, principal fronteira agrícola do estado, a produção de soja registrou recordes sucessivos de rendimento nos últimos anos, resultado da adoção de novas tecnologias, melhor manejo agronômico e investimentos em genética e agricultura de precisão.
Os números ajudam a explicar o otimismo cauteloso dos produtores. Em 2025, a Bahia colheu uma safra recorde superior a 12,8 milhões de toneladas de grãos, com crescimento de 12,8% sobre o ano anterior. A soja alcançou 8,6 milhões de toneladas, avanço de 14,3%, enquanto o milho cresceu 18,2%. O algodão, uma das principais culturas de exportação do estado, também ampliou sua produção.
Para a safra 2025/26, as projeções apontam um novo avanço. Levantamentos do setor indicam que a produção baiana de grãos e fibras poderá superar 14 milhões de toneladas, consolidando a liderança do estado dentro da região do Matopiba, considerada a principal fronteira de expansão agrícola do país.
O desempenho do campo já vem refletindo diretamente na economia estadual. Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia mostram que a agropecuária cresceu 12,4% no quarto trimestre de 2025, desempenho muito superior ao avanço de 2,3% registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia no mesmo período. O Valor Bruto da Produção agropecuária alcançou R$ 4,9 bilhões no trimestre, confirmando o papel do setor como principal motor da economia baiana.
Além das lavouras de grãos, outras cadeias vêm reforçando a diversificação do agro estadual. A produção de café avançou 5,1% em 2025, enquanto a cacauicultura registrou crescimento de 7%, beneficiada pela forte demanda internacional e pelos elevados preços da commodity. Na pecuária, o aumento dos abates e da produção de leite também contribuiu para sustentar a renda no interior do estado.
O principal desafio agora é manter a competitividade diante da escalada dos custos. Lideranças do setor avaliam que o produtor precisará ser ainda mais eficiente na gestão financeira, antecipando compras de insumos, reduzindo desperdícios e utilizando ferramentas de comercialização capazes de proteger margens. A palavra de ordem passou a ser planejamento.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com fatores que escapam ao controle das fazendas. O comportamento do clima, a volatilidade dos mercados internacionais e possíveis interrupções nas cadeias globais de fertilizantes continuam no radar dos produtores. Para especialistas, a capacidade de combinar produtividade elevada com gestão de risco será decisiva para determinar quem conseguirá atravessar o atual ciclo de incertezas.
Se há um consenso entre lideranças do setor, é que a Bahia deixou de competir apenas pela expansão de área. O avanço do agro estadual passa cada vez mais pela capacidade de produzir mais por hectare, com maior eficiência e menor custo. Em um ambiente de margens pressionadas, a produtividade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar uma condição de sobrevivência
Fonte: Pensar Agro
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