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2º edição da Festa do Beiradão ocorre em Manaus nesta sexta-feira (3)

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Música, memória e valorização da identidade cultural do Amazonas. É assim que o amazonense vai comemorar hoje (3) o Dia do Beiradão. A data criada por lei estadual terá uma segunda edição realizada no Largo de São Sebastião em Manaus a partir das 18h com extensa programação. Trata-se de um reconhecimento e fortalecimento do gênero musical que representa o coração ribeirinho do Amazonas.

E afinal, o que é o Beiradão? Na década de 1970, nas cidades localizadas às margens dos rios amazônicos, as comunidades e músicos se reuniam para promover festas. Ao longo do tempo, esses eventos foram ficando conhecidos e receberam o nome de Beiradão, que se transformou em uma marca cultural do Estado. Caracterizado pelo som marcante do saxofone e da guitarra elétrica, o Beiradão incorporou referências de diferentes gêneros, latino-americano e caribenhos, como salsa, cumbia, merengue, calipso e até mesmo a lambada, criando uma sonoridade única.

Nos anos 1980, o estilo alcançou o seu ponto mais alto de popularidade, consolidando-se como um dos símbolos da música produzida no Amazonas. Mais do que um gênero, o Beiradão se tornou expressão de identidade, memória coletiva e resistência cultural, representando as festas, a alegria e a diversidade do povo amazônico.

Hoje a festa do Beiradão vai contar com um diverso elenco artístico reunindo nomes que vão da velha guarda até novos talentos da música regional. A primeira edição em 2024 já havia reunido centenas de pessoas em uma celebração histórica do gênero.

Agora oficializado por lei o dia do Beiradão reafirma o compromisso com a cultura local e da visibilidade a um estilo que é reconhecido como patrimônio cultural e imaterial do Amazonas desde 2023 que reflete a alma musical ribeirinha.


Fonte: EBC Cultura

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90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo

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A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.

Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes. 

“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje,  a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”. 

 

Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência. 

“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.

Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.

Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.

São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.

Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.

  A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.

“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.

O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.

*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.


Fonte: EBC Cultura

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