Cultura
Ator e diretor Antônio Pitanga terá obra celebrada em Salvador
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O bom filho a casa torna. Com quase 70 anos de carreira e cerca de 100 filmes no currículo, sendo uma referência do protagonismo negro nas artes do Brasil, o ator e diretor Antônio Pitanga, cria do Pelourinho, terá sua obra celebrada em Salvador. Depois de passar pelo Rio de Janeiro, a mostra Pitanga será aberta nesta sexta-feira (31) na capital baiana.

A maior retrospectiva audiovisual dedicada a Pitanga reúne 29 filmes – entre longas, médias e curtas-metragens –, além de sessões comentadas, debates e cursos. A programação é gratuita e acontecerá no Cine Glauber Rocha, localizado no Centro Histórico, e no Cine Lankiana, que fica na sede do Instituto Audiovisual Mulheres de Odun, no bairro Fazenda Grande 4.
Thiago Ortman, um dos curadores da mostra, destaca que o trabalho de Antônio Pitanga levará o público não só a conhecer a história do artista, mas a ter contato com obras fundamentais para a construção do audiovisual brasileiro, principalmente do movimento do Cinema Novo.
“É uma oportunidade para o público se aproximar do legado de um dos maiores atores do cinema brasileiro. Pitanga é um ícone do Cinema Novo, que tem seu nome atrelado a alguns dos principais realizadores desse movimento. E o mais importante é que Pitanga estava no momento em que o Cinema Novo estava florescendo. Faz o primeiro filme de Glauber Rocha, que é Barravento. Depois, ainda faz de Cacá Diegues, ali num primeiro momento, que é Ganga Zumba e A Grande Cidade.”
O curador também reforça que a filmografia do homenageado consolidou uma imagem atípica da figura do negro no audiovisual.
“Pitanga tem uma história em que seus personagens sempre são muito contundentes, são muito insubmissos, e, de alguma forma, ele cria uma narrativa própria a partir dessas potências. E também a partir da sua força corporal, da sua força de interpretação, que, naquele momento, eu diria que é única, não só no Brasil, mas no mundo inteiro, atrelada a uma importância muito grande como um dos primeiros realizadores, diretores negros do cinema brasileiro.”
Programação paralela
Outro destaque da mostra é a programação paralela, em que haverá dois bate-papos: um deles, “Pitanga e seu legado”, com a presença do homenageado; e o segundo sobre “A escrita com o corpo: Antonio Pitanga e o cinema brasileiro”. No domingo, 2 de agosto, a programação terá uma sessão comentada do filme “Malês”, dirigido por Pitanga, onde ele falará sobre a realização da obra e de sua trajetória profissional, após a exibição do longa. Já durante a próxima semana, a mostra vai oferecer o curso Cinemas Negros: histórias, escritas e percursos”, com Izabel Melo.
Todos os detalhes e horários da mostra Pitanga, que ficará em cartaz até o dia 9 de agosto, estão disponíveis no site do Centro Cultural Banco do Brasil em Salvador. A expectativa da organização é que Brasília seja a próxima cidade a receber o evento.
*Com produção de Luciene Cruz
Cultura
Cia Baiana de Patifaria estreia “A Vida é um Cabaré” em Salvador
Umas das principais companhias de teatro da Bahia, reconhecida por suas montagens humorísticas, começa neste fim de semana, em Salvador, a celebração dos seus 40 anos de fundação.

A Companhia Baiana de Patifaria estreia nesta sexta a peça “A Vida é um Cabaré”.
O texto, escrito por Vini Morais e Lelo Filho, com direção de Daniel Marques, utiliza a rivalidade entre duas irmãs gêmeas, Dalva Aguilar, interpretada por Lelo, e Dolores Aguilar, vivida pelo ator Rodrigo Villa, para retratar o significado do fechamento de um teatro para cada uma delas. As duas herdaram dos pais o decadente Teatro Pindorama e, com ele, muitas dívidas.
Em entrevista para a Rádio Educadora FM da Bahia, parceira da Rede Nacional de Comunicação Pública, Lelo Filho, reforçou que a narrativa sobre o possível fechamento do teatro funciona como uma crítica à diminuição dos espaços de arte no país.
“E aí eu peguei a história dessas duas irmãs gêmeas, da Alba Aguilar e Dolores Aguilar, e adaptei para essa realidade que a gente está vivendo, que há essa resistência de nós artistas perante tudo. Eu acho que A Vida é um Cabaré representa muito isso. Somos nós artistas tentando continuar caminhando mesmo com todos os os problemas que a gente enfrenta.”
Outros três atores da Companhia que integram o elenco são: Maurício Martins, Daniel Marques e João Victor Sobral. Lelo Filho também relembra a importância da Companhia Baiana de Patifaria que, durante seus 40 anos de história, contribuiu com o fortalecimento do teatro autoral do estado.
“Nós fizemos parte de uma espécie de movimento, de revolução, de trazer o público baiano de volta para assistir produções locais. E que as pessoas realmente passem a valorizar o artista, as artes e principalmente valorizar o teatro que é feito aqui.”
A temporada seguirá até 29 de agosto, todas as sextas e sábados, sempre a partir das 20 horas, no Teatro Sesi Casa Branca, na capital baiana. Informações e ingressos estão disponíveis no Instagram da trupe teatral, @ciabaianadepatifaria.
*Com produção de Luciene Cruz.
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