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Blocos mantêm folia na Quarta-feira de Cinzas no Rio

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Depois da maratona de desfiles, cortejos, blocos e megablocos, a Quarta-feira de Cinzas costuma ser um dia de descanso para muitos. Mas não para cariocas e turistas que lotam a cidade. Mantendo o ritmo do carnaval, foliões se concentraram bem cedinho para acompanhar o bloco Me Beija Que Eu Sou Sem Censura, na Glória, e o Mulheres Rodadas, no Largo do Machado. Com mais de uma década de existência, o Mulheres Rodadas leva mensagem de empoderamento, para combater o machismo e toda forma de violência contra as mulheres.

E à tarde tem mais: ao meio-dia tem o Ainda Aguento, na Ribeira, e a partir das 15 horas, o tradicional Cordão do Me Enterra na Quarta ganha a Avenida Augusto Severo, no Centro da cidade, mantendo viva a tradição dos cortejos.

Depois, tem Planta na Mente, Bloco Guri da Merck e Grêmio Recreativo Chave de Ouro fechando o dia de desfiles dos blocos oficiais.

Calor sem trégua

E precisa ter muita resistência para enfrentar a folia. É que o calor não deu trégua esses dias. Nas ruas, foliões buscaram alívio em pontos de hidratação e nos jatos d’água de carros-pipa durante os blocos. Segundo o Climatempo, a cidade fecha o carnaval como a capital mais quente do país.

Mas o clima deve mudar. Segundo o Sistema Alerta Rio, da prefeitura, as condições atmosféricas nesta quarta-feira (18) serão influenciadas pelo calor, mas também pela aproximação de uma frente fria. A previsão é de céu parcialmente nublado a nublado, com pancadas de chuva isoladas a partir da tarde. Os ventos estarão fracos a moderados e as temperaturas seguem elevadas, com máxima prevista de 36°C.


Fonte: EBC Cultura

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90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo

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A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.

Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes. 

“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje,  a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”. 

 

Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência. 

“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.

Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.

Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.

São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.

Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.

  A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.

“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.

O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.

*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.


Fonte: EBC Cultura

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