Cultura
Ceará ganha roteiro turístico da fé por lei federal
Cultura
O Ceará acaba de ganhar oficialmente mais um roteiro turístico que une religiosidade, história, cultura e lazer. É o Roteiro Turístico da Fé, instituído por lei federal. Fazem parte da rota 13 cidades cearenses.

O Projeto de Lei que cria o Roteiro Turístico da Fé foi aprovado pela Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado em maio e sancionado esta semana pelo presidente Lula. A expectativa do Ministério do Turismo é que os destinos histórico-religiosos impulsionem ainda mais a economia local.
Entre os principais atrativos ligados à religiosidade estão a Estátua do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte: símbolo das romarias do Cariri; a Estátua de Nossa Senhora de Fátima, no Crato: local conhecido pela vista panorâmica da cidade; a Festa do Pau da Bandeira, em Barbalha, reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2015, como patrimônio cultural do Brasil; e, ainda, o Mirante de Nossa Senhora da Penha, em Campos Sales, que reúne turismo religioso e vista da paisagem da região, e a Concentração da peregrinação para a Romaria da Menina Benigna, assassinada há cerca de 80 anos e considerada “santa” por católicos da região, em Nova Olinda.
A capital, Fortaleza, também integra a rota com o Santuário de Fátima, o Seminário da Prainha e a Catedral da Sé.
Completam o roteiro monumentos históricos das cidades de Baturité, Caucaia, Canindé, Quixadá, Redenção, Russas e Santana do Cariri. Todos os pontos turísticos já são reconhecidos por lei estadual.
Com o reconhecimento por lei federal, a estruturação, a gestão e a promoção de todos os atrativos contarão com o apoio direto de programas oficiais da União, que poderá destinar recursos para melhorar as condições de visitação dos pontos turísticos, preparar as cidades para receber mais visitantes e impulsionar ainda mais a divulgação dos roteiros, por exemplo, por meio do Plano Nacional de Turismo.
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90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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