Cultura
Despedida: Glória Menezes morre aos 91 anos
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O Brasil se despediu nesta terça-feira (18) de uma de suas grandes atrizes: Glória Menezes morreu aos 91 anos, em casa, no Rio de Janeiro. Com uma extensa trajetória na teledramaturgia, a atriz também interpretou papéis no teatro e no cinema.

Uma das primeiras damas da televisão brasileira, Glória Menezes iniciou a carreira na TV em “2-5499 Ocupado”, a primeira telenovela brasileira diária, na TV Excelsior em 1963, ao lado do marido Tarcísio Meira.
Glória e Laura
Nilcedes Soares de Magalhães nasceu em Pelotas (RS) em 1934 e estudou na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo. Estreou no teatro com a peça “Devoção à Cruz” em 1957. Em 59, fez sua primeira atuação em novela na TV Tupi, em “Um Lugar ao Sol” ao lado de Laura Cardoso, atriz que faleceu na última segunda-feira aos 98 anos.
No cinema, Glória Menezes estreou em 1962 com um papel em “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte, como Rosa, a esposa do protagonista. O filme venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
Na TV Globo, a atriz gaúcha atuou em mais de 40 telenovelas, como “Sangue e Areia” , “Irmãos Coragem”, “Guerra dos Sexos” e “Rainha da Sucata”. Seu último papel na TV foi em 2015, na novela “Totalmente Demais”.
A atriz contracenou com o marido Tarcísio Meira no teatro e em novelas, e os dois formaram um dos casais mais populares da TV. Foram casados por quase 60 anos, até 2021, quando o ator morreu vítima de Covid-19.
No começo dos anos 2000, Glória Menezes interpretou uma paciente com câncer na peça “Jornada de um Poema” e protagonizou uma cena de nudez aos 67 anos. Por essa atuação, foi indicada ao prêmio Shell de melhor atriz.
Ao longo de mais de 60 anos, interpretando diferentes personagens, de mocinhas a vilãs, Glória Menezes tem seu nome gravado no panteão da dramaturgia brasileira
Cultura
90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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