Cultura
Edital Seleção TV Brasil seleciona 39 produções independentes
Cultura
Trinta e nove produções independentes, entre filmes e séries, foram selecionadas no edital “Seleção TV Brasil” e serão exibidas na emissora pública e em mais de 160 emissoras parceiras da Rede Nacional de Comunicação Pública. Entre os destaques do edital está a primeira novela da TV Brasil. O anúncio dos projetos selecionados foi feito nesta quarta-feira (11), em cerimônia no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro.

Essa chamada pública integra o Prodav, Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro, e usa recursos do Fundo Setorial do Audiovisual. No total, o investimento soma o valor recorde de R$ 110 milhões, o maior já destinado à produção de conteúdo para a TV pública.
TV Brasil Animada
As linhas de produções dedicadas ao público infantojuvenil receberão a maior parcela desse aporte, detalha a diretora de Conteúdo e Programação da EBC, Antonia Pellegrino:
“O maior volume de recursos do edital é voltado para a linha infantil e infantojuvenil, demonstrando a importância que a TV Brasil Animada tem para a programação da TV Brasil, mas também a importância que a TV Brasil Animada tem para a construção de uma cidadania no país. Então, não só a gente premiou esses 30 milhões, como a gente ainda foi além e premiou quase 10% a mais do que a gente incluiu no projeto a mais do que era previsto.”
Primeira novela
A primeira novela da TV pública brasileira, “Vambora”, será uma coprodução Brasil-Portugal sobre os desafios da migração entre os dois países, explica o produtor Rodrigo Letier:
“É a história de uma personagem, a nossa protagonista, que está disposta a buscar sua verdade. Então, ela vai a Portugal buscar suas raízes, e a gente persegue o tempo inteiro até que ponto as pessoas estão dispostas a buscar sua verdade. Hoje, a gente vê um fluxo migratório inverso, de muitos brasileiros em Portugal, a gente tem diversas questões com a imigração, e a história trata disso também. Mas isso tudo dentro de um seio muito comovente, muito pessoal e muito relevante, muito oportuno. O que a gente quer trazer aqui são assuntos atuais tratados de uma maneira séria, com bastante profundidade, mas sem perder a emoção, a graça e o amor, que é o que constrói tudo isso.”
Beth Carvalho
Uma das séries documentais selecionada é “Beth Carvalho – Guardiã do Samba”. O diretor da obra, Marcio Debellian, falou da felicidade da escolha no ano em que a artista completaria 80 anos:
“A gente acha que a Beth merece essa homenagem. Ela se preocupou em deixar um legado para a cultura brasileira para além da obra musical dela. Ela se registrava e registrava os grandes compositores da música brasileira. A Beth deixou inacreditáveis 1,2 mil horas de material, e ela, até o final da vida, fez isso. Ela sabia que ela estava criando memória para o samba, para o compositor que foi pouco registrado. Este ano ela completaria 80 anos, então, receber essa notícia hoje, ela completaria em maio, a gente ter essa resposta é muito feliz. A gente quer levar a obra da Beth. E, assim, é a Beth, são os compositores e é o samba.”
Em todos os projetos selecionados, há participação de mulheres ou pessoas trans nas funções de direção, produção ou roteiro. Um exemplo são as quatro produções sobre futebol feminino, todas dirigidas por mulheres.
Ao todo, foram 1.676 inscrições, de todas as 27 unidades da federação, com a maior parte das propostas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
*Com reportagem de Priscila Thereso.
Cultura
90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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