Cultura
Em SP, mostra apresenta filmes do cineasta estadunidense Todd Haynes
Cultura
Uma retrospectiva com filmes do premiado cineasta estadunidense Todd Haynes, reconhecido pelo trabalho no cinema independente desde a década de 1990, está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de São Paulo. Até o dia 12 de fevereiro, o público pode conferir a obra do cineasta em películas que fazem uma crítica ao chamado “sonho americano”, com temas como sexualidade e identidade de gênero, e reflexões sobre as normas da vida privada.

Novo cinema queer
Carol Almeida, uma das curadoras da mostra, comenta o movimento do Novo Cinema Queer, do qual Haynes foi dos pioneiros no início dos anos 90:
“Quando realizadores, particularmente dos Estados Unidos e da Inglaterra, propunham linguagens mais radicais para dar conta de representações queers, justo na época de agravamento da crise do vírus HIV no mundo. Então, era um cinema que desafiava e criava provocações a uma marginalização material e simbólica que a comunidade LGBTQIAP+ sofria.”
Filmes
Entre os filmes em exibição estão os primeiros longas do cineasta, como “Veneno” e “Mal do Século”, além de produções mais recentes, como o filme “Carol”, de 2015, com seis indicações ao Oscar, e “Segredos de um escândalo”, de 2023, inspirado numa história real e também indicado ao Oscar.
No total, a mostra reúne treze filmes de Todd Haynes e de outros dez de cineastas que o influenciaram ou que foram influenciados por ele. Destaque para “Desencanto”, película de 1945, dirigido por David Lean, que trata do tema da vida privada e se relaciona com a obra de Haynes.
Todd Haynes também dirigiu filmes relacionados a figuras da música, como “Não estou lá”, sobre Bob Dylan; “Velvet Goldmine”, inspirado em David Bowie; e “The Velvet Underground”, sobre a banda de mesmo nome.
Produções nacionais
Dentro da programação estão duas produções nacionais: “Vento Seco”, de Daniel Nolasco; e “Primavera”, de Fábio Ramalho.
Além dos filmes, Carol Almeida conta que a mostra também traz sessões comentadas, mesas de debate e um curso sobre a temática do filme “Carol”:
“Um curso que será realizado nos dias 4 e 5 de fevereiro, com as professoras Alessandra Brandão e Ramayana Lira, sobre a produção de um inventário lésbico no cinema a partir de uma leitura que elas fazem de “Carol”.”
A programação é gratuita e as informações completas da Mostra Todd Haynes podem ser conferidas no site ccbb.com.br.
Cultura
90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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