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Exposição em São Paulo faz retrospectiva da carreira de Raul Seixas

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O músico Raul Seixas, o eterno “maluco beleza”, que faria 80 anos em 2025, ganhou uma retrospectiva inédita de sua inesquecível carreira. A exposição Baú do Raul, em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS), na capital paulista, traz centenas de itens originais do compositor baiano, que nasceu em Salvador, em 1945, e viveu até os 44 anos.

O curador da exposição, André Sturm, conta que o visitante do Baú do Raul vai encontrar roupas, instrumentos musicais, letras e manuscritos divididos em mais de 15 salas do museu:

“Tem como material principal objetos que o Raul guardou durante a vida e que, depois, sua viúva e o principal fã guardaram em suas casas e que o MIS teve acesso. São mais de mil objetos, que foram levados para o museu, foram restaurados, higienizados. Mais de 600 estão na exposição.”

Fazendo sucesso principalmente nas décadas de 1960, 1970 e 1980, Raul Seixas foi o primeiro artista a misturar o rock com ritmos brasileiros.

Na mostra Baú do Raul, o curador afirma que os fãs poderão conhecer um pouco mais da intimidade daquele que eternizou, com sua voz e sua performance, sucessos como “Maluco Beleza” e “Metamorfose Ambulante”:

“O visitante vai ter a chance de ver objetos pessoais do Raul, documentos ainda da escola, o seu primeiro violão, como também da sua vida profissional, que tem letras de músicas, a versão original, que ele escreveu à mão. Enfim, é um painel da vida do Raul, num ambiente que faz com que mesmo quem não é fã curta mais e mergulhe no universo daquele artista”.

Entre os destaques da exposição está o espaço Toca Raul, onde os visitantes poderão encarnar o músico e cantar no palco os grandes hits “Gita” e “Eu nasci há dez mil anos atrás”.

Os ingressos para o Baú do Raul são gratuitos nas terças e na terceira quarta-feira do mês. A retirada ocorre na bilheteria física do MIS.


Fonte: EBC Cultura

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90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo

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A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.

Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes. 

“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje,  a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”. 

 

Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência. 

“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.

Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.

Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.

São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.

Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.

  A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.

“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.

O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.

*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.


Fonte: EBC Cultura

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