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Festejos de Iemanjá movimentam praias de Fortaleza no fim de semana

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Os tradicionais festejos de Iemanjá em Fortaleza já têm data e hora para ocorrer neste fim de semana em vários pontos da capital cearense.

Ao contrário das celebrações de 2 de fevereiro em várias partes do país, Fortaleza festeja Iemanjá em 15 de agosto num sincretismo religioso com Nossa Senhora da Assunção, padroeira católica da cidade.

Cortejos, ritos, oferendas, atividades culturais e ações de valorização das tradições de matriz africana acontecem ao longo deste fim de semana nas praias do Futuro, de Iracema e do Mucuripe, além da comunidade do Poço da Draga.

A Praia do Futuro realiza a edição de número 61 da festa de culto ao orixá, com o tema “O Poder das Águas que Sustentam a Vida: 300 anos de Fortaleza sob a proteção de Iemanjá”.

A programação contará com cortejo da imagem de Iemanjá, trabalhos religiosos e apresentações culturais, com participação dos afoxés Filhos de Oyá e Acabaca, culminando com a tradicional entrega de oferendas ao mar.

Já o aterro da Praia de Iracema está sendo espaço para a celebração da mãe de todos os orixás desde esta quinta-feira.

Nesta sexta, o destaque é o “Vozes da Umbanda”.

No sábado, a chegada da jangada trazendo Iemanjá está prevista para o início da tarde, seguida da Gira de Caboclo.

O dia se encerra com a apresentação do Afirma Curimbeiro, coletivo cultural dedicado aos pontos cantados, aos toques de atabaque e à musicalidade da Umbanda e das religiões de matriz afro-indígena.

No domingo, as atividades seguem na Estação das Artes, com roda de conversa e apresentações dos grupos Toque de Senzala e Batuque de Aruanda.

Na Paia do Mucuripe, próximo ao Mercado dos Peixes, o Coletivo Ayoká realiza a quinta Festa de Iemanjá e Barco do Seu Sibamba, no sábado.

As atividades culturais e religiosas começam a partir das oito da manhã e reúnem gira do Centro Espírita de Umbanda Janaína e Zé Pilintra das Almas, roda de jurema com Mãe Rê da Sete Saias e participação de Aladê.

No mar, o catamarã do Terreiro Mestre Zé Pilintra parte para a Gira do Mestre Sibamba, com entrega de balaios à Rainha do Mar e apresentações do Saravá de Bambas e das Mulheres Ayoká.

Com atividades desde o último dia 10, o Afoxé Acabaca, em parceria com moradores e coletivos locais, realiza o ponto alto da Festa de Iemanjá do Poço da Draga nesta sexta e sábado.

A programação inclui o Expresso Draga, uma visita guiada que convida visitantes a conhecer as histórias e a ligação da comunidade com o mar.

No sábado, a partir de uma da tarde, a Praia do Poço da Draga recebe cortejo, apresentação do espetáculo “Oferendas”, toque para Iemanjá e entrega de oferendas ao mar em jangadas, entre outros momentos culturais e religiosos.

Celebrada em Fortaleza desde a década de 1950, a Festa de Iemanjá possui forte relevância cultural e religiosa para os povos e comunidades de terreiro e de matriz africana da capital cearense.

Em 2018, a celebração foi registrada como patrimônio imaterial de Fortaleza.


Fonte: EBC Cultura

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90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo

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A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.

Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes. 

“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje,  a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”. 

 

Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência. 

“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.

Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.

Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.

São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.

Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.

  A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.

“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.

O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.

*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.


Fonte: EBC Cultura

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