Cultura
Festival de cinema no Ceará abre inscrições para submissão de obras
Cultura
O Festival Latino-Americano de Cinema de Canoa Quebrada, o Curta Canoa, que acontece no Ceará, está com inscrições abertas para os realizadores que queiram submeter suas obras para integrar a programação 2026 do evento, que acontecerá entre os dias 22 e 28 de novembro.

Essa será a 16ª edição do festival, coordenado pelo Instituto Social de Arte e Cultura do Ceará, que acontece anualmente na cidade praiana de Aracati, que fica a cerca de 150 km de Fortaleza.
As inscrições podem ser feitas até o dia 30 de agosto por cineastas de toda a América Latina. As obras precisam ter duração máxima de 20 minutos e terem sido concluídas a partir de 2024. Os gêneros podem ser documentário, ficção, animação ou experimental.
Tayná Sena, produtora executiva do evento, reforça a importância do festival para a cena do audiovisual independente:
“Esse é um importante espaço de encontro, formação e visibilidade para realizadores independentes, que fortalece a produção audiovisual e promove o intercâmbio cultural entre países da América Latina. O festival busca valorizar novas narrativas e diferentes olhares, além de contribuir para a difusão do cinema latino-americano e ampliar o acesso do público a obras autorais”, diz.
O Curta Canoa contará com quatro mostras: Mostra Competitiva Nacional, destinada a curtas-metragens brasileiros; a Competitiva Internacional, voltada aos realizadores estrangeiros; a Mostra Competitiva Infantil; e a Dragão do Mar, evento não competitivo formado por filmes cearenses selecionados pela direção do festival, com destaque para produções realizadas no município de Aracati e na região do Litoral Leste do Ceará.
O formulário e o regulamento estão disponíveis no site curtacanoa.com. A lista com os títulos selecionados será divulgada pelo site a partir de 20 de outubro.
Cultura
90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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