Cultura
Festival Homens de Barro começa hoje (17) em Ibirataia, na Bahia
Cultura
Começa nesta quarta-feira (17), na cidade de Ibirataia, na Bahia, um dos principais eventos que celebram a cultura ceramista do estado, o Festival Homens de Barro. 

Durante os próximos quatro dias, a cidade do interior baiano promove uma imersão em arte, cultura e identidade regional, por meio de exposições, oficinas, festival gastronômico, apresentações folclóricas, shows e experiências culturais.
O principal destaque do Festival são as mais de 90 peças feitas à mão, algumas de até 6 metros, conhecidas como Homens de Barro. Segundo a organização, esta é a maior instalação de esculturas em cerâmica das Américas e detém o título de Patrimônio Cultural da Bahia.
O Festival é promovido pelo Instituto Homens de Barro junto com um grupo de empresários, profissionais de cultura e artistas de Ibirataia e foi idealizado pela artista plástica e arte educadora Selma Calheira. E é ela que faz o convite ao público.
“Convidar as pessoas para vir para o festival. Vamos só fazer as oficinas, mas também no próprio dia 20 que é o dia da queima, onde a gente comemora a transformação do barro. Vem comemorar com a gente! Venham para a cidade dos homens de barro.”
Selma é natural de Ibirataia e retornou à cidade em 1989 após estudar design, trazendo consigo um olhar apurado para a arte, a natureza e as raízes culturais da região. Ela encontrou na argila, no ferro e nas fibras naturais a matéria-prima para suas obras. Inclusive, quem se inscreveu previamente poderá participar este ano do projeto inédito “Imersão Homens de Barro”.
Nela, os visitantes poderão ver o processo de criação das esculturas da ceramista, conhecendo as histórias, técnicas e botando a mão no barro. Além da imersão, está prevista a já tradicional Queima dos Homens de Barro, em um forno gigante.
Uma outra vivência para os participantes é a “Expedição Floresta de Chocolate”, que acontece no sábado (20). Nela, o público poderá ter a experiência da Cabruca, que é o sistema de plantio agroflorestal do Cacau: desde a semeadura, passando pela colheita do fruto até a fabricação do chocolate.
No site homensdebarro.com.br é possível saber como participar de todos os eventos que compõem a programação, que segue até o dia 20 de setembro.
Cultura
90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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