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Festival Mulheres do Mundo – WOW chega à Maré com entrada gratuita

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O festival Mulheres do Mundo – WOW – retorna para sua terceira edição no Rio de Janeiro a partir desta sexta-feira até domingo. O evento será no Complexo da  Maré, conjunto de favelas localizado na zona norte da capital, e tem  entrada  gratuita. Essa é a primeira vez que o Mulheres do Mundo acontece em comunidades.

Cerca de 150 mulheres convidadas vão se dividir entre rodas de debate, shows, feiras de empreendedorismo e competições esportivas para discutir temas voltados à igualdade de gênero, justiça reprodutiva e questões climáticas. 

A Curadora do Festival Mulheres do Mundo WOW Rio, Andrezza Jorge, fala da expectativa para a edição deste ano.

‘Vai ser uma experiência única de troca, porque dentre as atividades a gente vai receber mulheres de diferentes lugares do Brasil e do mundo, com pautas diversas, mas todas com a mesma ideia, sentido e desejo, que é de construir uma sociedade justa, igualitária pras mulheres. Se a gente constrói um mundo assim para as mulheres, a gente constrói um mundo assim para todos.”

A iniciativa conta com a presença confirmada de nomes do ativismo político e cultural como a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, as escritoras Conceição Evaristo e Sueli Carneiro

Os shows terão Fat Family, Fafá de Belém, Priscila Senna, MC Luanna, Kaê Guajajara e a cantora LGBTQIAP+ BIAB. 

O Festival Mulheres do Mundo foi criado em 2010 pela diretora e produtora britânica Jude Kelly. Nos últimos 15 anos, passou por 23 países em seis continentes, envolvendo mais de cinco milhões de pessoas em ações que elevam a potência feminina e pensam o futuro.

O Rio de Janeiro é a única cidade da América Latina que recebeu o festival. A edição carioca aconteceu em 2018 e 2023, na praça Mauá, na Zona Portuária da capital. Essa é a primeira vez que o Mulheres do Mundo acontece em comunidades. Os ingressos estão disponíveis no site oficial do WOW.


Fonte: EBC Cultura

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90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo

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A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.

Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes. 

“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje,  a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”. 

 

Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência. 

“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.

Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.

Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.

São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.

Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.

  A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.

“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.

O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.

*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.


Fonte: EBC Cultura

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