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Festival no interior do Pará celebra o fenômeno natural da Pororoca

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A Pororoca é um fenômeno natural comum na região amazônica. Ela consiste no encontro das águas doce e salgada, forma ondas gigantes de até quatro metros que sobem o leito do rio, sendo a maior onda fluvial do mundo, com intenso estrondo e impacto na margem. Esse show que a natureza dá se tornou a atração principal de um festival em São Domingos do Capim, que propõe dias de emoção e cultura com iniciativas que enaltecem a identidade local. Orivaldo Bateria, prefeito de São Domingos do Capim, destaca a particularidade desse município do nordeste paraense.

“São Domingos do Capim tem uma particularidade porque lá é o encontro dos dois rios, o rio Guamá e o rio Capim. E é um fenômeno que acontece em alguns meses do ano, que é influenciado pela tábua de maré, pela lua. E agora, em 2026, a gente tem o fenômeno acontecendo no período que a gente vai fazer o festival. Então é o momento para as pessoas conhecerem, para ver como é que essa onda nasce. Eu falo que é até difícil da gente explicar como é a Pororoca. Só tu vivenciando e vendo esse fenômeno de perto, que é um fenômeno natural. A onda da Pororoca ela surge e ela tem um percurso ali no Mirante do Barriga e na Ilha do Tóyo de quase dois quilômetros onde o pessoal consegue surfar”.

A Pororoca é um momento especial, uma onda que acontece uma vez ao dia e uma vez à noite. O evento vai acontecer na Arena Pororoca e conta com várias apresentações culturais, acessibilidade, esporte, como campeonato de surf, trilha de bike, jet ski, skate, futebol de areia e vôlei de areia. Também conta com competições de decoração de rabetas e o concurso de Garoto e Garota Pororoca. A edição anunciada vai ocorrer entre 16 e 19 de abril deste ano, 2026.
 


Fonte: EBC Cultura

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90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo

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A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.

Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes. 

“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje,  a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”. 

 

Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência. 

“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.

Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.

Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.

São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.

Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.

  A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.

“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.

O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.

*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.


Fonte: EBC Cultura

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