Cultura

Festival Psica celebra o Retorno da Dourada em Belém, capital do Pará

Publicado em

Cultura

Recentemente, o Festival Psica recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial de Belém pela Câmara dos Vereadores da capital paraense. Jeff Dias, diretor do Festival Psica, explica o tema do festival deste ano, chamado de Retorno da Dourada.

“A gente falou no ano passado da descida da dourada. É, a dourada é esse peixe que a gente tá acostumado a comer no Ver-o-Peso, com açaí e tal. É um peixe muito afetivo que faz parte do nosso dia-a-dia, do nosso cotidiano. Esse peixe carrega uma história muito legal. Uma história de conexão amazônica, né? Esse peixe nasce lá no pé dos Andes, no Peru, onde nasce o Rio Amazonas e vem percorrendo toda essa região do Peru, passando pelo Equador, passando pela Colômbia, até chegar no Pará.”

A dourada de água doce faz um trajeto pelas águas brasileiras e volta ao Peru, o que ressalta a conexão da Pan Amazônia e todos os territórios que a compõem. Esta é a mensagem que o tema do evento transmite.

O festival tem simbolismos que remetem à tradição cultural amazônica e é conhecido por prestigiar artistas regionais periféricos além da pluralidade e inovação. Gerson Júnior, organizador da iniciativa, reafirma que o evento valoriza os artistas locais:

“Tem artista grande que vai tocar cedo porque a gente valoriza os nossos artistas e os nossos artistas estão nas posições de destaque também. Essa é uma estratégia para fazer a galera chegar cedo e prestigiar os nossos artistas.”

Agora, como patrimônio cultural, o Psica tem uma missão de ser não apenas um festival, mas um movimento que celebra a diversidade, fortalece a cena independente e projeta Belém como referência cultural no Brasil e no mundo.


Fonte: EBC Cultura

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Cultura

90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo

Publicados

em

A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.

Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes. 

“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje,  a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”. 

 

Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência. 

“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.

Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.

Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.

São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.

Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.

  A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.

“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.

O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.

*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.


Fonte: EBC Cultura

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA