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Fortaleza celebra cinema nacional com exibição no Centro Dragão do Mar

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O Dia do Cinema Brasileiro é comemorado em 19 de junho e faz referência à data em que teriam sido feitas as primeiras imagens da tecnologia do cinematógrafo no Brasil, em 1898, na Baía de Guanabara, pelo italiano Afonso Segreto. Em Fortaleza, a data é celebrada este ano com a exibição de seis filmes nacionais no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

A “cine-semana” do Centro Dragão do Mar começa na sexta-feira (19) e segue até o dia 25 de junho com filmes cearenses, clássicos restaurados e também lançamentos. Entre as cópias restauradas estão a dramédia que saiu em 1977 “Mar de Rosas”, de Ana Carolina; e “São Paulo Sociedade Anônima”, de Luís Carlos Person, lançada em 1965.

Fábio Rodrigues, curador do Cinema do Dragão, conta que o cinema nacional está sempre presente no espaço e que, nesta semana, ganha ainda mais fôlego:

“Filme cearense Estranho Caminho, longa-metragem do Guto Parente. Vai ter a presença do ator Lucas Limeira para conversar após a projeção. Na outra sala, vai exibir Mambembe, que é um filme do Fábio Meira, um diretor de Goiás. Uma história de três mulheres de diferentes circos do Norte e do Nordeste do país. Esse filme é muito bonito, muito sensível, feito ao longo de 15 anos.”

Também faz parte da programação “O Último Azul”, de 2025, dirigido por Gabriel Mascaro, uma distopia em que a protagonista se recusa ao exílio forçado aos idosos e embarca numa viagem pela Amazônia. Nas sessões regulares, está em cartaz o longa “Criadas”, de Carol Rodrigues, um drama psicológico sobre duas primas que se deparam com memórias e a herança colonial, onde o racismo age como fantasma.

Estreias nacionais

E além dos filmes da “cine-semana”, há duas estreias nacionais já nesta quinta-feira (18): “Dolores”, filme de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, que acompanha uma viúva de 65 anos, ex-viciada em jogos de azar, que sonha em abrir um cassino; e “Quinze dias”, de Daniel Lieff, adaptação do livro de Vitor Martins, sobre um garoto que sofre bullying na escola. 

Para conferir os horários e quais sessões são gratuitas, é só acessar o site dragaodomar.org.br.


Fonte: EBC Cultura

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90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo

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A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.

Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes. 

“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje,  a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”. 

 

Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência. 

“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.

Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.

Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.

São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.

Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.

  A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.

“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.

O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.

*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.


Fonte: EBC Cultura

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