Cultura
Guarnicê: começa no MA um dos maiores festivais de cinema do país
Cultura
Começa nesta quarta-feira (30), em São Luís, no Maranhão, um dos principais eventos do audiovisual do país: o Festival Guarnicê de Cinema. Criado em 1977, o festival é o quarto mais antigo do Brasil e o mais longevo em atividade ininterrupta no Norte e Nordeste.

A cerimônia de abertura será à noite, no Centro de Convenções Multicenter Sebrae, a partir das 19h. O destaque é a exibição do filme Uma Mulher Sem Filtro, de Arthur Fontes, com presença do diretor, do ator Samuel de Assis e show da cantora Adriana Bosalpo com a Orquestra Jazz Brasil, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
As mostras competitivas nacionais e maranhenses ocorrem na Sala 6 do Cinépolis, no São Luís Shopping. Os filmes também ficam disponíveis online, com acesso gratuito, na plataforma guarnice.ufma.br e no aplicativo Cine Guarnicê, das 17h30 até às 18h do dia seguinte.
A programação paralela inclui sessões para diferentes públicos no Cine Sesc Deodoro: Mostra Universitária, Guarnicêzinho, Jovem, Cinema Não Tem Idade e Faz Todo Sentido, voltada para pessoas com deficiência auditiva e visual.
Toda a programação é gratuita, com ingressos presenciais ou via Sympla.
Nesta 48ª edição, o festival homenageia Tássia Dhur — atriz, roteirista e diretora maranhense, uma das grandes vozes da nova geração do audiovisual brasileiro — e o cineasta alagoano Cacá Diegues, um dos fundadores do Cinema Novo, falecido em fevereiro. Outro homenageado é o ator e cantor cearense Silvero Pereira, que convida o público para um momento de interação.
“Eu quero dizer para vocês que no dia 31 de julho, às 18 ho, no Cinépolis do São Luís Shopping, eu estarei lá para ter uma conversa, um bate-papo com vocês. A entrada é gratuita. Eu vou poder falar um pouco das minhas experiências,dividir isso com vocês, tirar algumas dúvidas. Enfim, a gente tem um momento gostoso entre nós, da nossa conexão, eu, Silvero, dentro do Festival Guarnicê de Cinema e com você também que pode estar lá junto pra gente ter esse momento especial.”
O Guarnicê também abre espaço para novas linguagens, como a Mostra Competitiva de Jogos Digitais, que chega a sua quinta edição. Os jogos estarão disponíveis durante o festival, com votação popular.
A programação completa vai até 6 de agosto e está no site guarnice48.ufma.br.
Cultura
90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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