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Manaus recebe 2ª edição do Festival Paredes Vivas – Cinzas da Floresta

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A cidade de Manaus, no Amazonas, recebe a partir desta segunda-feira (21) a segunda edição do Festival Paredes Vivas – Cinzas da Floresta, que utiliza cinzas recolhidas de queimadas para criar murais de arte urbana.

As cinzas são matéria prima para produção de tintas usadas nos trabalhos de artistas que denunciam a destruição ambiental e celebram o trabalho dos brigadistas florestais e voluntários que atuam contra os incêndios.

Até o próximo dia 25 de julho, as paredes de dois espaços localizados na zona norte da capital amazonense serão as telas de arte a céu aberto que irão abrigar os murais.

A fachada lateral em um edifício residencial será pintada pela artista local Mia Montreal; e estudantes da Escola Estadual Eliana Socorro Pacheco Braga vão produzir um mural colaborativo. O trabalho será conduzido pelo rapper, grafiteiro e muralista Denis L.D.O.

Na parede do prédio, Mia pretende produzir a obra “A Altruísta”, que materializa Débora Avilar, que atualmente é brigadista voluntária, mas que no passado recente perdeu o filho de cinco meses por complicações respiratórias por causa da fumaça das queimadas.

Já o mural, batizado de “Psicoholograma”, vai trazer uma versão robótica do Guariba, que é um primata símbolo da Amazônia; prevendo um futuro pessimista onde a floresta só poderia sobreviver de maneira artificial. 

Além das pinturas, a ação em Manaus prevê ainda oficinas de arte e educação ambiental, rodas de conversa, visita guiada de estudantes até uma das obras produzidas e a exibição do curta Cinzas da Floresta, produzido em 2023.

No ano passado, na primeira edição do Festival Paredes Vivas – Cinzas da Floresta, cinco cidades, cada uma representando um bioma que sofre com as queimadas, receberam murais urbanos. Mais de 30 artistas foram envolvidos nas 10 obras feitas em homenagem aos brigadistas florestais, nas cidades de Fortaleza, Campo Grande, Goiânia, Belém e São Paulo, totalizando 965 m2 de pintura.

Da Rádio Nacional em São Luís, Madson Euler.


Fonte: EBC Cultura

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90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo

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A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.

Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes. 

“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje,  a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”. 

 

Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência. 

“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.

Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.

Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.

São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.

Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.

  A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.

“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.

O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.

*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.


Fonte: EBC Cultura

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