Cultura
PE: Cinema ao ar livre leva conscientização ambiental a quatro cidades
Cultura
Cinema ao ar livre como ferramenta de conscientização ambiental. Essa é a proposta principal do projeto Interior na Cena Brasil, que depois de passar por municípios do estado de Alagoas, chega nesta quinta-feira (14) ao estado de Pernambuco.

Até o próximo dia 17 de agosto, praças públicas de Recife, Paulista, Olinda e Igarassu recebem a grande tela inflável do projeto onde serão exibidos filmes de diretores consagrados que se inspiraram na questão ambiental. As produções tratam de temas como: poluição das águas e do ar; manutenção do lixo; agrotóxico; povos originários; e florestas.
Com participação gratuita para o público, as sessões de cinema a céu aberto são acompanhadas de bate-papo, com a participação de críticos e diretores de cinema, ambientalistas e o público em geral.
As primeiras sessões acontecem nesta quinta-feira, no Parque Santana em Recife, a partir das 19h, com a exibição do curta Das Águas, de Adalberto de Oliveira e Tiago Martins Rego. Na sexta-feira é a vez de Paulista, com o documentário Ilha das Flores e o curta Ruivaldo, o homem que salvou a Terra. No sábado, o projeto chega a Olinda, com o curta Velozzia, de Gisele Moreira e o premiado Narradores de Javé, de Eliane Caffé.
E, encerrando as exibições em Pernambuco, no Centro de Artes da cidade de Igarassu, será exibida a animação A Arca de Noé – A Aventura; e do documentário indicado ao Oscar O Sal da Terra, dirigido por Wim Wenders e Juliano Salgado.
Cultura
90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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