Cultura
Petrobrás lança edital de R$ 270 milhões para projetos culturais
Cultura
A Petrobras lançou, nesta quarta-feira (1º), uma nova seleção pública para projetos culturais em todo o país. O investimento previsto é de R$ 270 milhões, o maior já destinado ao setor na história da estatal. Os recursos serão viabilizados por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e da Lei do Audiovisual.

As inscrições já estão abertas e seguem até o dia 31 deste mês. A análise das propostas será realizada a partir de agosto, e o resultado deverá ser divulgado no dia 30 de novembro. Já o repasse dos recursos aos projetos contemplados começa em maio de 2027.
Na cerimônia de lançamento, o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, ressaltou que o papel do governo é ampliar as vozes e fazer com que diferentes pessoas possam ter vez.
“Oportunidade a gente cria com política pública e com a garantia de que a política pública, como essa chamada pública, abrace a diversidade, as diferenças dos territórios brasileiros, reconheça aqueles territórios que são consagrados como mais importantes, melhore da sua primeira edição para a sua segunda, através de um processo de escuta, construa algo estável, com investimento crescente e em diálogo com a comunidade cultural.”
O edital da Seleção Petrobras Cultural 2026 traz uma novidade importante para ampliar a distribuição dos investimentos pelo país. Pelo menos R$ 40,5 milhões, o equivalente a 15% do valor total, serão reservados para cada uma das regiões brasileiras. A medida foi criada para reduzir a concentração de recursos no Sudeste e no Sul.
Além disso, o programa estabelece que todos os estados e o Distrito Federal deverão ter, no mínimo, dois projetos selecionados. Outra meta é ampliar a diversidade cultural: um quarto das iniciativas apoiadas deverá ter como foco grupos historicamente sub-representados nas artes, como mulheres, população negra, povos indígenas, pessoas LGBTQIAPN+ e comunidades tradicionais.
Ao todo, serão 11 modalidades de patrocínio. Duas delas estreiam nesta edição: produção de games e incubação e desenvolvimento cultural. O objetivo é ampliar a atuação em diferentes segmentos da economia criativa e diversificar os investimentos, tradicionalmente mais associados ao cinema nacional.
Cultura
90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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