Cultura
Projeto leva cultura popular para cidades pernambucanas
Cultura
Em mais uma iniciativa para valorizar a identidade das manifestações culturais pernambucanas, a Fundarpe, Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, começa, nesta sexta-feira (19) o projeto Cartografia Junina: Percursos de Memória e Celebração.

Até o próximo dia 27 de junho, a iniciativa levará uma programação gratuita com manifestações da cultura popular para as cidades do Recife, de Olinda e do Agreste pernambucano. São quadrilhas juninas, trios de forró pé de serra, bandas de pífano, grupos de bacamarteiros, cortejos e outras manifestações tradicionais.
Programação
Nesta sexta-feira, ocorrerão atividades simultâneas no Recife, no Museu do Estado de Pernambuco, no bairro das Graças; na Casa da Cultura Luiz Gonzaga, no bairro São José; e na cidade de Brejo da Madre de Deus, no Centro Cultural Casa de Câmara e Cadeia. Os espaços recebem apresentações da Bandeira Nossa Senhora de Sant’Ana, de Gylka Brechó, da Quadrilha Junina Xapéu de Palha e do trio pé de serra 100% Mulher. No sábado (20), a programação se concentra na Casa da Cultura. Entre as atrações estão Forró Quentão do Recife e Associação Folclórica Bacamarteiros Mandacaru de Abreu e Lima.
A agenda segue logo após o São João, no dia 25 de junho, na Torre Malakoff, no Centro Histórico do Recife, com muito pé de serra e quadrilha junina; no dia 26, no Espaço Pasárgada, tem Boi Bombá do Hemetério; e encerra no dia 27 com um cortejo tradicional pelas ruas do Sítio Histórico de Olinda, ligando o Museu Regional de Olinda ao Museu de Arte Sacra de Pernambuco, começando a partir das 16h.
No Instagram @fundarpe, é possível saber os horários da programação do projeto Cartografia Junina e de outros festejos de São João promovidos pela fundação.
Cultura
90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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