Cultura
Recife ganha novo espaço cultural em Boa Viagem
Cultura
Recife ganhou nesse domingo (29), um novo espaço cultural que irá abrigar iniciativas sociais, de artes, cultura e gastronomia.

O Centro Cultural e de Desenvolvimento Humano do Instituto Marcos Hacker de Melo, fica no bairro de Boa Viagem. O novo espaço terá curadoria fixa de toda a programação do Museu da Imagem e do Som de São Paulo.
Na inauguração, o público já pode conferir duas atrações temporárias. Uma instalação imersiva inédita em homenagem a John Lennon e uma exposição da fotógrafa baiana Thereza Eugênia.
A instalação audiovisual “John Lennon, 85 anos” mostra a trajetória do artista, incluindo projeções de mais de oito metros de altura, trilha sonora envolvente e imagens em movimento, garantindo ao visitante uma experiência sensorial imersiva. Já o trabalho “Encontros” de Thereza Eugênia reúne fotografias que registram momentos íntimos, do cotidiano, dos bastidores de shows de grandes nomes da MPB como os “Doces Bárbaros”, Caetano, Gil, Gal e Bethânia; os cantores e compositores Chico Buarque, Belchior e Gonzaguinha, entre outros. São fotografias que percorrem a vida dos artistas nas entre a décadas de 60 e 80.
Uma terceira sala está com uma exposição permanente com 34 máquinas musicais raras do século XIX.O prédio conta ainda com teatro, auditório, restaurante, café, rooftop e salas de exposições temporárias.
As receitas de todas as ações, ingressos e demais serviços que funcionem dentro das dependências do Centro Cultural terão percentual revertido para o Programa Ressignificar. Voltado ao fortalecimento da educação nas cidades onde o Instituto atua em escolas públicas da Zona da Mata Sul, o programa atende a mais de quatro mil crianças e adolescentes pernambucanos.
No site institutomhm.org é possível conhecer mais sobre os projetos e também conferir as prestações de contas anuais.
Cultura
90 anos Rádio Nacional: o legado do Repórter Esso no radiojornalismo
A imprensa é análise, o rádio é síntese. A imprensa dirige-se aos que sabem ler. O rádio fala, também, aos que são analfabetos”. Essas palavras são de Heron Domingues, jornalista que apresentou o Repórter Esso entre 1944 e 1962. O noticiário estreou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro em agosto de 1941, com a cobertura da Segunda Guerra Mundial. Um ano antes, em março de 1940, a emissora fundada pelo grupo do jornal A Noite havia sido estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. 

Numa época em que mais da metade da população brasileira era analfabeta, o rádio conseguiu ampliar o alcance da informação.
Para João Batista de Abreu, jornalista e professor da UFF, a Universidade Federal Fluminense, o Repórter Esso estabeleceu uma relação de confiança com os ouvintes.
“Eu acho que a ideia de credibilidade, talvez seja a coisa mais importante. Até hoje, a gente tem a expressão: deu no rádio. Se deu no rádio, é porque é verdade. Isso é marcante em todas as emissoras. Mas basicamente por conta do Repórter Esso”.
Com o slogan “o primeiro a dar as últimas”, fazendo referência às notícias, o Repórter Esso trouxe a ideia de agilidade e instantaneidade ao rádio, em quatro edições de cinco minutos ao longo do dia, além das edições extras. Antes dele, as informações vinham de recortes do que os jornais impressos já haviam anunciado. Com o Esso, surge uma linguagem própria de radiojornalismo. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP em São Paulo, destaca Heron Domingues como referência.
“É muito interessante ouvir o manual do Repórter Esso na voz do Heron Domingues, porque ele vai dar essas noções, ele vai dizer, olha, você vai acordar as pessoas dando notícia, então você precisa passar isso com animação. Não pode ser algo que você fale monotonamente, porque senão ninguém vai querer te ouvir e tudo mais. É uma grande marca”.
Em 1948, Heron Domingues assumiu a Seção de Jornais Falados e Reportagens na Rádio Nacional, a primeira redação voltada ao radiojornalismo no país, com equipe formada por um chefe, quatro redatores e um colaborador do noticiário parlamentar.
Atualmente, a equipe da emissora é bem maior: tem quase 50 pessoas, entre repórteres, editores, produtores, locutores, coordenadores e gerência, que respondem a uma diretoria de jornalismo.
São produzidas três edições do radiojornal Repórter Nacional, os boletins Nacional Notícias, além dos programas jornalísticos Ritmo da Notícia e Alô, Alô Brasil.
Em 2007, a Rádio Nacional passou a ter caráter público e não mais estatal, com a criação da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
A diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, destaca o compromisso do Radiojornalismo com o interesse social e a cidadania.
“Hoje, como comunicação pública, a nossa missão, claro, é honrar essa tradição de credibilidade com olhar atento ao interesse social, aos direitos humanos e, eu diria, principalmente, à diversidade. O rádio evoluiu, mas a confiança do ouvinte no nosso compromisso com a verdade, com certeza, é o patrimônio da Rádio Nacional”.
O jornalismo da emissora de 90 anos segue com a essência da revolução trazida pelo Repórter Esso, testemunha ocular da história, com foco no interesse da sociedade brasileira e o compromisso com a busca da verdade, da precisão e da clareza, o respeito aos fatos, aos direitos humanos e a diversidade de opiniões.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia.
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